10.06 (relatos muito atrasados pra dar um descanso pros meus leitores e pra mim que ando cansada e sonolenta)
Feriado, dia de Portugal, dia de Camões.
Estou saindo da região de Estremadura e Ribatejo, indo para Porto e Douro.
Dentro do expresso, wi-fi a bordo, lá me vou conversando com vocês.
Acho que preciso explicar que expresso faz as viagens interurbanas e autocarros as urbanas, assim me ensinaram em Leiria.
Uma ligeira confusão na venda de passagens para uma senhora que fala alto com o motorista. Aguardamos todos, silenciosos.
Muito sono, mas prefiro olhar a paisagem e algumas vinhas já se fazem ver.
16 graus, clima bom e é verão. Estou adorando não sentir calor.
Chego tão cansada que só quero deixar as malas, almoçar e voltar pro quarto.
A noite chega e espero com ansiedade para assistir ao filme sobre a vida de Amália Rodrigues, sempre fui fã dessa cantora extraordinária. Estou jantada, banho tomado, debaixo das cobertas. Estou à grande aqui nesse Porto... afe!
Sono chega, desligo a tv, sorry Amália, o filme está ótimo, mas preciso dormir. Amanhã quero andar muito.
11.06 - O DIA SEGUINTE
Acordo, banho, café e metro. Sim, aqui não se fala metrô, mas metro.
O Íbis em que estou agora é fantástico. Grande, bonito, e é só descer pelo elevador apenas um andar que caio dentro de um shopping. Tem supermercado, água mineral barata, lojas, área de alimentação, demaaaais.
Vou ver se coloco uma foto da vista que tenho da janela do meu quarto.
Estão 10 graus, tem sol, mas sinto frio. Compro o meu bilhete direto da máquina, valido o bichinho e logo chega o tal metro que me levará ao centro histórico. No trajeto vou lembrando do dito popular “enquanto Coimbra estuda, Lisboa se diverte, o Porto trabalha e Braga reza”. Vou ter que conferir.
Desço na Estação São Bento. Linda, muito bem decorada com os famosos azulejos portugueses. Fico admirando durante algum tempo, depois ganho a rua e vou fotografando os belos prédios antigos. Em seguida pego o buzu vermelhinho que faz passeios turísticos pela cidade e vou pro segundo andar pra curtir melhor a paisagem. Ele dá muitas voltas, coloco o fone de ouvido, ouço os fados. Estou mesmo em Portugal, falo comigo mesma. E estou feliz aqui.
Quando chegamos ao mar do Porto tento reter aquele azul. Acho que é o azul mais bonito que já vi, muito parecido com o mar de Salvador. Não quero esquecer. A areia muito branca e muitos corajosos de biquíni ou maiô tomando sol, acreditam? Eu fotografei.
Desço do ônibus. E vou caminhar pela Ribeira. Gaivotas ou que ave será essa que voa sobre o rio e faz uma algazarra gostosa? É branca, grande, bonita. Come vísceras de peixes.
Em momento algum me sinto sozinha. Tenho experiência de estar comigo mesma e gosto da minha companhia. Aquele tempo em que parecia impossível não ter alguém sempre ao lado ficou lá atrás. Não estou querendo dizer com isso que não seria bom ter uma pessoa, mas teria que ser tão disponível, tão especial, tão bom caráter, tão bom tudo que, na falta dessas qualidades, melhor estar assim, livre, leve e solta.
Ando à beira do Douro, sento numa escada de grandes degraus que vai até o rio. É alto o barulho que faz ao bater na margem, dá vontade de enfiar os pés, mas o rio é fundo, a água é fria, não convém. Apeteceu-me (aqui falam assim, acho bem bonito) tomar um vinho e são tantos os bares e restaurantes que fica difícil escolher. Vejo um de fachada despretensiosa, mas movimentado. É pra lá que vou.
Peço um vinho branco e vou “bicando” devagarinho, dessa vez não fiz como a “imperial”, mas não resolveu muito, fiquei tontinha do mesmo jeito. Como a época é a melhor possível pra se comer as famosas sardinhas do Porto fiz o pedido.
Elas vêm inteirinhas, assadas, em volta batatas. A entrada compõe-se de pães, broa, bolinhos. Quero recusar a entrada, pois vivo deixando sobrar comida, mas o moço garçom não deixa, me diz que as sardinhas devem ser comidas com o pão e as broas. Não discuto e não é que ele está certo? Muito bom mesmo. Sobrou batata, pão, broa, mas as sardinhas... Essas não.
E depois do almoço fui andar na ponte São Luís, a vista é muito bonita e muitos turistas admirando o Douro.
O PASSEIO DE BARCO
Entro e sento-me no barco. Ao meu lado um suíço puxa conversa, entendi nada... Quando falei em português ele respondeu em espanhol e fomos tentando nos entender... Chega uma francesa e já engatam num papo. Fui tirando fotos e apreciando o passeio.. De vez em quando ele me perguntava alguma coisa... Bacana ele, bem viajado, conhece o Brasil, Peru, Bolívia, Argentina e sei lá mais o quê.
O Douro é lindo e só quem faz o passeio sabe o que estou dizendo, não dá pra descrever aqui e espero que as fotos deem uma pálida ideia do que digo. O barco vai devagar e a brisa no rosto é suave. Apesar de passar filtro solar fico vermelhinha, pareço o vovô Juca. Só me faltam os olhos azuis.
No final da tarde chego ao hotel. Banho, nenhuma fome, e as sardinhas não me deixam esquecê-las. Bebo água, estômago pesado, e agora? Não trouxe nenhum digestivo, não tenho costume de tomar e vou a uma farmácia de produtos para dieta. Encontro chá (aqui se chama tisana), leio e vejo que tem boldo na composição. É esse. No hotel me dão uma chávena com água quente, deposito o saquinho, tomo devagar. Duas horas depois já pude tomar uma sopa. Como queria conhecer a sopa de pedra de Portugal fui ao restaurante.
A SOPA DE PEDRA
Sopa de pedra
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sopa da pedra em Almeirim
Sopa de pedra
Estátua dedicada ao frade da lenda da sopa da pedra, em Almeirim.
Restaurantes de sopa da pedra em Almeirim
Sopa de pedra ou sopa da pedra[1] é uma sopa típica da culinária de Portugal, em particular da cidade de Almeirim, situada no coração da região do Ribatejo, considerada a "capital da sopa da pedra".
Ao contrário do que o nome indica, a sopa de pedra é uma sopa com muitos ingredientes, em que a “pedra” é apenas o “pretexto”. Aparentemente, esta designação encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base uma lenda ou fábula.
Sopa de Pedra é igualmente o título de um livro de banda desenhada, traduzido duma edição norte-americana com o título Stone Soup.
[editar] Portugal
Um frade pobre, que andava em peregrinação, chegou a uma casa e, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, pediu aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa – de pedra... E tirou do seu bornal uma bela pedra lisa e bem lavada. Os donos da casa ficaram curiosos e, de imediato, deixaram entrar o frade para a cozinha e deram-lhe a panela. O frade colocou a panela ao lume só com a pedra, mas logo disse que era preciso temperar a sopa... A dona da casa deu-lhe o sal, mas ele sugeriu que era melhor se fosse um bocado de chouriço ou toucinho. E lá foi o unto para junto da pedra. Então, o frade perguntou se não tinham qualquer coisa para engrossar a sopa, como batatas ou feijão que tivessem restado da refeição anterior... Assim se engrossou a sopa “de pedra”. Juntaram-se cenouras, mais a carne que estava junta com o feijão e, evidentemente, resultou numa excelente sopa.
Comeram juntos a sopa e, no final, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal... para a sopa seguinte![2
Brasil-Há outras versões desta história. Em uma delas, comum no Brasil, o frade é substituído por um malandro ou Pedro Malasartes, e a dona da casa é uma senhora conhecida na comunidade por negar auxílio a quem quer que seja. O malandro aposta com um amigo que consegue todos os ingredientes da sopa de graça com a senhora avarenta. Esta, movida pela curiosidade sobre a sopa de pedra, fornece-lhe um a um os ingredientes. Embora a história seja levemente diferente, esta versão passa a mesma moral, que a cooperação pode levar a resultados inesperadamente bons.
Referências
1. ↑ [editar] Ligações externas
• C2 Wiki: Stonesoup
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Sopa_de_pedra"
Categorias: Fábulas | Sopas | Almeirim (Portugal)
Categoria oculta: !Artigos que carecem de fontes desde Dezembro de 2008
Gostei muito dessa sopa, pedi meia porção e foi mais que suficiente.
As pessoas no Porto são bem mais falantes e acolhedoras que as de Leiria, parecem os nossos mineiros do interiorrr. Quando você pede uma informação faltam te levar no lugar, uma belezinha, mas das cidades que visitei a que eu moraria? Leiria.
Boa noite.. zzzzzzzzzzzzzzzz
Bj
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