BATALHA
Saio de Nazaré, dentro do ônibus observo a neblina e penso que meu plano irá furar. Antes tivesse porque se eu soubesse que a temperatura iria baixar ainda mais eu não teria descido daquele ônibus nem morta. E eu sem agasalho, antânia que sou. Desci e como em Batalha tem apenas o mosteiro pra se ver, além da igreja, fui rapidamente até lá, comprei o ingresso e entrei. Gostei muito desse mosteiro, é bem imponente, arquitetura em estilo gótico francês. Uma beleza de se ver. A igreja também é linda e vai aqui um pouco de História que pesquisei na internet.
“O exterior amarelo-claro é uma profusão de pináculos, arcobotantes, agulhas, parapeitos e torres, a mais acabada expressão de uma forma particularmente ornamentada do gótico francês. A maior parte dela foi construída entre 1388 e 1434, com acréscimos posteriores no século XV e início do XVI em estilo manuelino. O interior é simples, com suas linhas verticais elevando-se a partir de sólidas pilastras para acentuar a abóboda de um modo que lembra as catedrais inglesas contemporâneas como as de York e de Winchester. O coro é iluminado por vitrais, usados pela primeira vez nessa abadia e desenhados e instalados por artesãos de Flandres e da Alemanha.”
Saio da igreja e encontro um grupo de japoneses, uns 60 mais ou menos, com um guia japonês falando e eu entendendo tudo.. risos... Eu lá no meio deles todos. Seguimos até à Capela do Fundador. Debaixo da claraboia ficam os túmulos de João primeiro e Filipa de Lancaster; seus filhos mais novos jazem em recintos recuados. O segundo da direita é o túmulo do príncipe Henrique, o Navegador, aquele que desenvolveu as técnicas portuguesas de navegação. D. Duarte, o filho mais velho, está enterrado no santuário. Depois segui para o Claustro Real. Os bordados em pedra são lindos. As grades do claustro são enfeitadas com cruzes, símbolos da Ordem de Cristo. As colunas são decoradas com elaborados trabalhos em corda, pérolas e conchas (não sou essa sabichona não, ando pesquisando muito no Google). Saindo do claustro fica “O Capítulo”, estrutura em abóbada do século XV, cujo teto sem apoios se estende por mais de 20 metros. Era um projeto ousado e havia grande receio de que o teto desabasse. A construção foi considerada tão perigosa que apenas criminosos condenados à morte trabalharam nela. O arquiteto dormiu ali na primeira noite depois que retiraram os andaimes para tirar a prova. Hoje é um santuário nacional, contendo o Túmulo do Soldado Desconhecido de Portugal (existem dois), guardado dia e noite pelo exercito português. Tem também as capelas imperfeitas, que são sete. Fotografei os túmulos de D.Duarte e sua rainha Leonor de Aragão que estão lado a lado em uma dessas capelas. É muita História e tenho adorado conhecer tudo.
Parei num café, pedi um chocolate quente, um pastelzinho de Belém e ensaiei a volta. No ponto muitos estudantes e conheci uma universitária que estuda em Coimbra e ficamos conversando por um bom tempo. Tenho gostado muito dos jovens daqui, aliás, por ser uma pessoa de mente mais aberta sempre tive facilidade de lidar com os mais moços, mesmo no Brasil, e quando viajo abro-me mais para relacionar porque é bom conhecer gente, aproveitar o que há de melhor nela, doar o melhor de mim e ir embora sabendo que nunca mais irei reencontrá-la. São relações leves e me agradam.
Cheguei ao hotel, banho quente demorado (perdão planeta, mas eu tava precisando), jantar. Escolhi Arroz de Pato e confesso que precisei fazer um trabalho mental e esquecer a visão dos meus patinhos nadando no tanquinho da chácara. Balancei a cabeça, sacudi a lembrança e comi. O pato é assado, muito macio e no meio do arroz vêm picadinhos o fígado e outras coisitas que não identifiquei. Ah, sim, veio pedacinhos de bacon também. Achei gostoso, mas consegui comer apenas 1/3.
Agora é ir pra rua ver se consigo uma bolsinha pra carregar moedas. Eu que faz mais de 30 anos que não pego um ônibus em Goiânia vejo-me aqui precisando e muito dos autocarros porque apesar de andar bastante a pé tem distâncias que meu pezinho lindo não aguenta..
Vambora...
RATA DO DIA: Motorista para o autocarro, entro e sento na cadeira do lado direito ao lado da janela. E tou que olho a paisagem e o motorista tá que olha pra mim e o ônibus parado. Eu com meus botões: que diabo esse motorista tá olhando desse tanto pra mim, tá parecendo brasileiro encarado, português não é assim... Ele calado. E minha ficha cai, tinha esquecido de pagar a passagem. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Esta sou eu. Pedi desculpas, ele sério, paguei.
Jesuis me ajuda e ajuda também meus irmãos portugueses a não darem enfarte de tanta raiva de eu...
Fotos 2981, 2998, 2999, 3001, 3012, 3020,3055
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