quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Leiria

03 de junho Chego a Leiria. Dá pra imaginar uma capital de 45 mil habitantes? A primeira impressão é a melhor possível. Limpa e elegante. De repente o castelo. E eu digo pra mim: “olha isso”. Lindo, imponente, bem no alto, mas estou de frente das suas escadarias. Tenho a exata noção de como será difícil chegar ao alto. Sei que vou ver muitos castelos ainda, mas este me encantou desde que o vi nas intermináveis buscas que fiz na internet e nem acredito que estou diante dele. Será meu melhor passeio em Leiria. Desço do ônibus, aqui se chama expresso; se você falar ônibus ninguém sabe o que é. Estão aprendendo palavrinhas novas comigo também. risos. A folgada brasileira, acostumada que está com vários táxis disponíveis, assim que sai da rodoviária não vê nenhum. A pessoa estranha, olha prum lado e pro outro e escolhe a direita. Na próxima esquina tem um ponto com muitos táxis. Não estão na frente da rodoviária certamente para não enfeiar. Europa é outra coisa mesmo. Entra no primeiro, cumprimenta o motorista e diz o endereço do hotel Íbis. Finalmente um português acessível. Ele, um senhor de uns 65 anos, de olhos muito azuis me pergunta em que cidade moro no Brasil. Quando digo Goiânia ele custa a acreditar. Tem os olhos marejados, o pranto chega com força e fico penalizada porque não sei o que está acontecendo. Digo a ele que seria melhor ele parar o carro porque chora tanto que tenho medo que não possa ver nada à sua frente. Ele, mais calmo, começa a me dizer que tem esposa e filha em Goiás e faz 2 anos que não as vê. Casou com a goiana que veio passear em Leiria há 21 anos, teve com ela essa filha que cursa Letras em Goiânia. Ele fica tão feliz em encontrar alguém que, de alguma forma, o aproxima das suas amadas, que pega o “telemóvel”, liga pra esposa e me põe a falar com ela. “““ E ela, muito simpática, me diz:” esse homem é um amor, traz ele pra mim quando voltar...” Quando chego ao hotel ele me deixa um cartão e se coloca à disposição para toda e qualquer corrida. Penso, além de ganhar um dinheiro ainda dá pra fazer terapia comigo de graça... bom também... E num jeito paternal me diz que é pra ter cuidado com os portugueses, que eles são muito falsos, adoram as brasileiras, mas a grande maioria as considera prostitutas. Aqui mesmo em Leiria diz que havia cinco casas de prostituição, todas brasileiras e que os portugueses ficaram loucos com as mulheres, mas as esposas, ao verem muitos maridos deixando os casamentos, alguns deles descuidando da vida de casados e passando horas no lugar, uniram-se e, aos poucos, foram fechando os estabelecimentos. Aqui quase 100% das brasileiras vêm para tomar os maridos endinheirados das portuguesas. São consideradas destruidoras de lares, prostitutas, mulheres fáceis. Uma das esposas matou uma brasileira, dona de uma dessas casas, que lhe tomou o marido e essa foi a última casa que existiu por aqui de brasileiras. Imagino que tenha outras boites dos portugueses, mas não perguntei isso a ele, não me interessava. No final da conversa ele me diz que também tem portugueses que são boas pessoas. Agradeço e entro no hotel entendendo o motivo do tal portuga ser tão acessível, aprendeu com o jeito brasileiro da mulher. Sou muito bem recebida pela moça da recepção. Eles são bem profissionais e me lembram os donos de hotéis e restaurantes em Gramado. Estou tão cansada que encosto as malas e tomo “um duche’”. Sim, aqui não se fala chuveiro. Banheiro também não é banheiro, mas “casa de banho”. Ajeito algumas roupas e fico por ali vendo tv e ponho as pernas pra cima. Os pés estão inchados, enormes, e me dou 1 horinha de descanso. Almoço às 16h, ainda meio viciada com o horário do Brasil que é meio dia. Meu estômago pensa que ainda está em casa. Apesar da bactéria estou louca pra comer uma salada (nem vou contar pra Dóris e Marina) e peço uma deliciosa: vários tipos de alface, tomate cereja, azeitonas pretas e queijo de cabra. Vem um pão de sementes muito bom. Coloco bastante azeite e fico ali olhando pela janela agradecida pela boa vida que tenho. Luto contra o sono, tento não dormir e mesmo com o sol quente vou caminhar pela cidade. Ando durante 1 hora, volto, tomo outro banho e não tem jeito, o sono me vence, afinal havia dormido no máximo 3 horas no avião. O que seria uma soneca breve virou um sonecao de 4 horas. Tou frita, mifu. Desço pro restaurante do hotel, levo o computador e peço uma sopa de legumes. Não tão gostosa quanto à do Brasil.. risos... poucos legumes, cozidos em excesso, mas tomei tudinho porque a fome era grande e queria alguma coisa mais leve porque tentaria dormir no horário de sempre, mas em vão, acabei dormindo às 2 da manhã. Prometi acordar no máximo às 8h no dia seguinte. Quero fazer o tal passeio ao castelo e irei a pé. Não é muito perto, mas quero andar, tirar fotos e esse será o meu programa de amanhã. Volto depois. Beijinhos!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aveiro

AVEIRO
Acordo muito cedo, antes das 6h, sem despertador. Tento voltar a dormir, não consigo, então entro na banheira, depois café, metrô, comboio pra “Avairo” como dizem os portugueses. Gosto do jeito de falar deles. Eles sim, falam o português. Nós falamos o “brasileiro” que não tem muito a ver. O nosso jeito de falar é mais doce e é bonito também, mas meus irmãos portugueses capricham no vernáculo.
O “tu” aqui é usado somente se te consideram de confiança, caso contrário usarão o “você” que é mais respeitoso e distante. Assim ensinou-me um portuga gente boa. Comigo somente usaram “tu”, bom sinal.
Estou indo para a região de “Beiras” e assim que desço do trem em Aveiro já fico apaixonada pela Estação de Comboios, prédio cheio de azulejos ma ra vi lho sos. Sou encantada por todos que vejo. Enquanto escrevo arrependo-me de não ter fotografado todos, mas eram tantos!! É que quando vejo as fotos fico um tempão admirando os detalhes e gosto cada vez mais dos desenhos.
Entro num café pra tomar meu costumeiro pingado e depois vou andando pela avenida em direção à laguna, também chamada de Ria de Aveiro. Meu interesse maior é conhecer os moliceiros, barcos de fundo chato e belamente pintados e decorados com desenhos tradicionais. Não são tão comuns mais e alguns ficam debaixo da ponte principal. Vamos aprender um pouquinho sobre eles.
''Moliço'' é o nome dado às plantas aquáticas que são colhidas para serem usadas na agricultura. Esta palavra provém do latim ''mollis'', que expressa a qualidade de mole. A designação de moliço é geralmente usada para as plantas vasculares que crescem submersas em água salgada, que em inglês são designadas por seagrass, mas pode também ser aplicada às algas que crescem no meio dessas plantas. Um caso diferente é o de outras algas, incluindo algas do género ''Sargassus'', designadas por sargaço, que eram colhidas na zona de rebentação das praias do norte de Portugal, também para utilização na agricultura.
O moliço era particularmente importante na laguna costeira da Ria de Aveiro, situada na costa do norte de Portugal. Ali o moliço era colhido em grandes quantidades, por ancinhos arrastados a partir de um barco moliceiro. As plantas mais abundantes no moliço pertenciam ao género ''Zostera'', mas também incluía outras plantas aquáticas tolerantes de água salgada.
Nos séculos XIX e XX, a colheita de moliço teve um papel importante ao remover nutrientes de plantas da Ria de Aveiro, ajudando a estabilizar esta laguna.
O barco moliceiro pertence à família de barcos pequenos de origem mediterrânica designados por bateiras. O aspecto mais fascinante deste barco são as pinturas ornamentais, que seguem uma tradição popular bem estabelecida. (trechos retirados Wikipédia)
Fiquei conhecendo duas paulistas que moram em Campinas que já viajaram muito e já entramos no moliceiro conversando e sentamos juntas. Um grupo de brasileiros já ficando intimo do guia e atrapalhando as informações que ele tentava nos passar. Ô praga! Entre eles um português, casado com uma brasileira, que já pegou logo o jeito do brasileiro e começou a contaminar o guia contando piadas chatas. Fiquei pau da vida, não conseguia tirar fotos porque as mulheres não tinham educação e pensavam que o barco era só delas. Ficavam em pé tirando fotos uns dos outros, falando alto, gendocéu! E olha que não eram marinheiros de primeira viagem não, eram toscos mesmo. Uma delas ficou de costas tão perto de uma das paulistas, com a bunda praticamente no rosto dela, que ela não aguentou: posicionou o pé que estava quase sendo pisado, e contou depois que estava torcendo para a rainha do moliceiro tropeçar e rachar a cara no chão. Até eu iria gostar, viu? Cada vez mais eu acho que no geral mulheres não gostam muito umas das outras não. O relacionamento é difícil. O que aconteceu é que o tal guia não conseguiu dar o recado, acabou entrando na onda, começou a contar piada besta e o passeio foi uma bosta. As fotos que tirei ficaram um erro, cheias de corpos e cabeças, arre égua.
Mas falemos de Aveiro que é conhecida como a Veneza Portuguesa. Foi um importante porto pesqueiro durante a Idade Média até sofrer um desastre em 1575. Uma tempestade alterou o curso do rio Vouga e o porto entupiu-se de lama. Só em 1808, com a construção de um quebra mar para abrir uma nova passagem da laguna para o oceano é que o setor pesqueiro renasceu. É uma cidade de praias também, esse Portugal é um país abençoado mesmo, as cidades têm rios lindos, mar, montanhas, tudo.
Depois vamos conhecer os belos edifícios da cidade, alguns com motivos náuticos, bem interessantes. Visitamos o Mercado do Peixe que estava bem vazio, com poucos produtos e depois fomos beber uma Sagres danada de boa e ficamos por ali conversando, trocando e-mails, descendo o cacete nos brasileiros. Kkkkk.
Despeço das novas amigas e almoço numa churrascaria em Porto, na Praça da Batalha. Peço meia porção, mas ainda assim sobra comida. O dono vai até minha mesa, é muito afável, pergunta se gostei da comida, sorri, um amor ele.
Estou cansada e pela segunda vez nesses 12 dias de viagem preciso dormir depois do almoço. Desperto duas horas depois e penso que já é o dia seguinte e minha mente: Oncotô, concossô, proncovô? Rapidinho me oriento e desço para tomar um cafezinho. Levo o notebook e fico por ali. Muitos estão com seus computadores, jovens estudam (?) naquele lugar agitado.
Observação: LICOR DE GINJINHA NÃO É DE CEREJA, MAS DA FRUTA GINJINHA. DESCULPAS.
Banho, jantar, tv e cama. Amanhã quero ir ao SEF, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras me informar sobre meu passaporte que está sem o carimbo de entrada.
Fiquei na paz.
Beijos!

Braga

(Estou dentro do ônibus indo pra Lisboa e aproveito pra atualizar as notícias e estas são de 13.06)

Dia de Santo Antônio, aniversário da vó Tonha, sempre me lembro de tanto que mamãe falou.
Então sigo para Braga a ver se reza mesmo. Saio da região do Porto e vou agora para o Minho e Trás-os-Montes.
Faz frio, mas visto o casaco, pego o metrô, estação linda São Bento, e comboio. Estou tentando dizer as palavras como são aqui porque cada vez que digo “trem” o povo faz “ahn?”. Bom que meus leitores vão aprendendo que, quando aqui chegarem, tudo será mais fácil pra todo mundo. Amém.
Vou prestando atenção à estrada. A terra do Minho é fértil e bastante cultivada. Dá pra ver as vinhas apoiadas em granito – elas que dão origem ao vinho verde da região, levemente frisante, aquele que eu mais gostei até agora. Bem verdade que não provei muitos, mas este é delicado e, geladinho, vai muito bem. Eu é que não vou depois que o bebo.. risos. Vou sendo levada e amparada pelo meu anjinho da guarda que é muito bacana comigo.
Começo pela Praça da República que está toda enfeitada para Santo Antônio, festa que aqui em Portugal é muito celebrada, aliás, todas as juninas. A praça é encantadora, sinos a todo o momento enchem de belos sons o ambiente. Muitas pessoas sentadas nas esplanadas - que são os bares com mesas e cadeiras do lado de fora. Fico andando, admirando e tirando fotos dos prédios, cafés, igrejas, flores, bichos, tudo. E a cabeça pensando... Como tem pessoas idosas por todo lugar que ando, sinal que viver nesse país é sinônimo de vida longa, quero dizer, qualidade de vida, porque os de mais idade estão ativos, interagindo com as pessoas e, os mais tímidos, com o ambiente. Isso é maravilhoso. Não estão tristes dentro de suas casas. No Brasil é espantoso como as pessoas mais velhas são mais decadentes, os filhos quando não as deixam de lado estão sempre tomando conta daquele jeito arrogante, invertendo as posições, querendo ser pais dos seus pais. Acho um absurdo os filhos fazerem isso e os pais consentirem nisso. Pessoas que lutaram pra criar esses mesmos filhos, ainda lúcidas, mas que vão se encolhendo diante da tirania dos mais novos. Bem, mas um dia serão velhos também e ensinando seus filhos esse modelo horroroso terão o mesmo tratamento que ora dão aos que lhes presentearam com a vida. Pra mim isso não é cuidar, não é gostar, é tolher, cercear a liberdade, matar a pessoa. (puta merda, fui longe agora, sorry, mas é minha mente que está pensando e sempre questionou isso).
De repente um burburinho e muitas crianças dos 4 aos 14 anos mais ou menos chegam à praça. Bem arrumadas, com lindos vestidinhos. Grupos de vestido rosa, outros de verde, amarelo, a coisa mais bonita desse mundo, gente. Não estão vestidas que nem as nossas ao estilo caipira, nem poderiam estar, claro, estou em outro país. As professoras estão junto e meninos e meninas de mãos dadas começam a dançar ao som de uma música sofrível que sai de um carro. Exigente que sou, por causa desse meu ouvido que capta todo e qualquer ruído e também os desafinos do mundo, lamento a falta de sintonia entre a beleza das crianças e o barulho que sai do carro. Sim, aquilo não é música, faça-me o favor. Fosse eu à frente desse evento não permitiria de jeito nenhum um descaso desses, mas de todo jeito foi muito bonito. Até fiz um vídeo que infelizmente não dá pra colocar aqui.
Entro em algumas igrejas e constato: sim, Braga reza e muito. Só hoje já assisti a três pedaços de missa, igrejas cheias, sinto que estou perturbando a paz dos que oram, mas procuro ser o mais silenciosa e discreta possível. Não dá pra não tirar fotos, é tudo tão bonito... O ouro que temos em Ouro Preto nem passa perto do tantão de ouro que tem aqui. Gente, não estou querendo dizer nada com isso.. Prestenção... Inclusive muitas igrejas daqui foram construídas muito, muito antes do descobrimento do Brasil.
Braga, a Bracara Augusta dos romanos tem longa história, boa parte dela ligada à da Igreja Católica em Portugal desde a reconquista cristã do século 11. A cidade era provavelmente um assentamento celta. Depois de longo período de ocupação romana caiu nas mãos dos suevos e visigodos antes de ser conquistada pelos mouros. Recuperada pelos cristãos em 1070, seus arcebispos fizeram forte pressão para serem reconhecidos como Primazes das Espanhas, a mais importante posição religiosa ibérica, contra os rivais de Toledo e Tarragona. (pesquisas internet).
Braga ainda é a sede dos arcebispos portugueses, e as suas procissões religiosas e celebrações estão entre as mais fervorosas do país.
Entro na catedral, a Sé. Só ao vivo, não dá pra descrever, são muitos os detalhes. Data de 1070. O interior não é grande... Os vitrais são antiquíssimos, há ricos entalhes barrocos e novamente o estilo manuelino que tanto tem me encantado pela delicadeza. Vejo uma estátua da Virgem, do século XIV e o altar esculpido com cenas da Ascensão. E muitos azulejos e trombetas e anjos e ouro. Desço e chego a um pátio rodeado por três capelas e entro na mais importante: A Capela dos Reis. Nela estão os túmulos de dom Henrique da Borgonha (fundador da catedral) e sua mulher Tareja – pais de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
Vou andando rumo a não sei onde porque me dá imenso prazer me locomover por lugares que nunca vi. Primeiro café que vejo, entro, bebo água, peço um garoto clarinho. E a jovem de quase 40 me pergunta: “está viajando sozinha”? Respondo afirmativamente e ela: “quando será que poderei fazer isso!” Eu lhe digo que esse dia chegará, com certeza, mas ela não acredita muito. Peço informações e vou andando já com um rumo: quero ir à igreja Bom Jesus do Monte, uma das construções mais famosas de Portugal. Não dá pra ir a pé, pego o autocarro que me deixa quase lá em cima, ainda tenho que pegar o funicular e pego. A igreja é Imponente, mágica. Tem uma dupla escadaria e a cada patamar cenas da vida e sacrifício do Cristo. Pode-se subir pelas escadas (há que ter pernas e joelhos fortes) ou por um caminho sagrado ladeado por capelas com painéis mostrando cenas da Paixão de Cristo. São redondas, muito bonitas e velas acesas lá dentro, muitas velas. Cada um dos patamares da escada tem uma fonte que é para relembrar as cinco feridas do Cristo, os seis sentidos e as três Virtudes. Alguns peregrinos sobem de joelhos (meu Deus!), mas eu vim apenas para conhecer a igreja, apreciar a vista, os bosques e jardins. Como sempre o ar é muito puro e há alguns turistas admirando e fotografando que nem eu. A vista lá do alto é bem bacana e fico por ali um bom tempo. Admiro os profetas ( lembram os de Congonhas). Quando resolvo descer o faço pelas escadas e paro em cada patamar para admirar as fontes e capelas. E vou descendo. Em volta muito verde, pássaros cantando, penso que já morri e tou é no céu... risos... Lembro-me do Saramago no seu livro Viagem a Portugal que diz: ”Viajar deveria ser outro concerto, estar mais e andar menos”. E não é que ele me plagiou? Porque antes de vir pra cá, e de lê-lo, eu não tinha grandes planos de sair conhecendo montes de lugares, fazendo maratona e até brincamos eu e os filhos que iria “cochilar em euros”. E estou mesmo, não todos os dias, mas se estiver cansada escuto meu corpo e durmo mesmo.
Então me sentei porque são muitas as escadas e descer também me cansa. De vez em quando um casal de turistas passa por mim. Demoro pra chegar lá embaixo e não queria ir embora dali, mas vou. Deixo o local com a alma leve, o lugar mexeu comigo. É grandioso!
Agora é hora de comprar meu costumeiro imãzinho de geladeira e entro num comércio. O dono é bem jovem, pouco mais de 30 anos e engatamos no papo de sempre: a crise em Portugal. É outro portuga que pensa que foi o Lula quem deu jeito no país, mas eu explico que não: foi o Fernando Henrique o maior responsável, apesar de ter levado muitos funcionários do Banco do Brasil como eu a mudar totalmente o estilo de vida. Ensinou-nos a duras penas a viver com menos, a eliminar os supérfluos (que são tão bons), a trabalhar muitas vezes de 8h da manhã até às 23h sem ganhar hora extra, a cortar escola particular dos filhos, viagens de férias, restaurantes, tv a cabo, etc. Foram oito anos muito difíceis e falo isso pra ele. Percebo os portugueses apavorados com a crise e ao conversar com alguns, que venho travando conhecimento, quando menciono isso, me dizem que os brasileiros são mais otimistas e que os portugueses não estão preparados para ficar sem tantas facilidades. Falo do meu encantamento por Portugal e ele me diz: “Chegastes agora, se ficares três meses por aqui mudas de ideia”. Espero que não.
Estou adorando Braga.
Vou almoçar e escolho o Café Astória. Grã-fino demais, decoração em preto e dourado. Na mesa ao lado uma senhorinha só e como estou também por que não conversar um tiquinho? Mineira que sou puxo conversa. Ela me lembra as tias de Oliveira, aquelas mais sérias, mais caladas. O papo custa a engrenar, mas estou com vontade de trocar um dedinho de prosa e insisto. E ela começa a me falar que nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro, mas veio morar em Portugal com 4 anos. Seus pais são portugueses. Está aposentada, foi professora primária e vai me dando as dicas do que devo conhecer na cidade.
Comidinha chega, peço licença e primeiro como com os olhos o prato do dia: Bacalhau com castanhas, muito, muito azeite. Antes teve uma entrada que belisquei, estômago anda pesado aqui, pretendo mudar radicalmente a partir da semana que vem, claro, que essas decisões difíceis precisam ser digeridas devagarinho que é pra não criar traumas.. Risos.
Depois é andar pra deixar as calorias pelo caminho, olhar as “montras” (vitrines, lembram?).
Tinha planejado ir a Guimarães ainda hoje, mas encantei-me tanto com a cidade que resolvi aproveitar e andar bastante, então irei em outra oportunidade, mas não vai demorar, afinal Portugal nasceu ali.
Quando chego ao hotel converso com Paulinha e Thiago, matamos um pouco as saudades.
E cama que amanhã... amanhã... amanhã? Amanhã é outro dia e só quando acordar, se acordar no planeta Terra, é que saberei o que fazer.
Besos... Muchos...
RATA DO DIA
ENTRO NUM BAR PRA COMPRAR ÁGUA... O MOÇO ME ATENDE COM UM JEITO MEIO BRASILEIRO DE FALAR.. A ANTA AQUI, BOCA DE SACOLA, PERGUNTA: É BRASILEIRO? E ELE: NÃOOOOO. SOU PORTUGUÊS E DETESTO OS BRASILEIROS. E EU FALO: E EU ESTOU ADORANDO OS PORTUGUESES TODOS. ELE SORRI, FICA MAIS SIMPÁTICO, CONVERSAMOS UM POUQUINHO.
AI, AI, AI... PAGO E VOU EMBORA.

Vila Nova de Gaia

VILA NOVA DE GAIA
Acordo descansada, é hora de ir novamente ao Douro. Dessa vez opto por conhecer e passar o dia em Vila Nova de Gaia, então pego o ônibus turístico, o tal vermelhinho, e sigo pra lá. Que lugar lindo! É só atravessar a ponte e estamos em Gaia, que é outra cidade, núcleo principal de comércio do vinho do Porto. Aqui ficam as famosas caves do gostoso vinho.
No passado as famílias endinheiradas tinham casas aqui para passar férias. Hoje muitos moram aqui e trabalham no Porto.
Começo com um passeio no teleférico. A manhã está ensolarada apesar da temperatura, 16 graus. Do alto vejo as muitas vinícolas e imagino Thiago e Túlio por aqui experimentando o que tanto gostam. Eu não vou conseguir beber hoje, é uma pena, ainda não estou 100% por causa da sardinha, quero dizer, por ter comido demais. Assim penso eu.
A seguir uma aulinha sobre o vinho do Porto, para os apreciadores desse néctar português. Vamos aprender agora sobre essa delícia.

O '''vinho do Porto''' é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal, a cerca de 100 km a leste do Porto.
Apesar de produzida com uvas do rio Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "Vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade.
A "descoberta" do Vinho do Porto é polémica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. A empresa ''Croft'' foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.
O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas) não se transforma completamente em álcool e mais forte do que os restantes vinhos (entre 19 e 22º de álcool).
Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.
PORTO BRANCO - O Vinho do Porto branco é feito exclusivamente a partir de uvas brancas e envelhece em grandes balseiros de madeira de carvalho (20 mil e mais litros). Tipicamente vinhos do Porto brancos são vinhos jovens e frutados (não menosprezando as reservas) e são o único vinho de Porto que se categoriza quanto à sua doçura. Há assim brancos secos, meios-secos e doces. Ainda assim, e devido à forma como o Porto é produzido, o vinho praticamente nunca é completamente seco, guardando sempre alguma da sua doçura inicial, sendo por isso comum encontrarem-se brancos "secos" com alguma doçura.

Porto Ruby - Os Ruby são vinhos tintos que também envelhecem em balseiros. Devido ao baixo contato com a madeira (porque a relação superfície/volume é pequena) conservam durante mais tempo as suas características iniciais, devido à baixa oxidação. São assim vinhos muito frutados de cor escura (rubi), com sabores a frutas vermelhas (frutos silvestres ou ameixas, por exemplo) e com características de vinhos jovens.

Porto Tawny - Os Tawny são também vinhos tintos, feitos, aliás, das mesmas uvas que os Ruby, mas que apenas envelhecem dois a três anos nos balseiros, passando depois para as pipas de 550 litros. Estas permitem um mais elevado contato do vinho com a madeira e daí com o ar. Assim os Tawny respiram mais, oxidando e envelhecendo rapidamente. Devido à elevada oxidação os Tawny perdem a cor inicial dos vinhos tintos, ganhando tons mais claros como o âmbar, e sabores a frutos secos como as nozes ou as amêndoas. Com a idade os Tawny ganham ainda mais complexidade aromática, enriquecendo os aromas de frutos secos e adquirindo aromas de madeira, tostado, café, chocolate, mel, etc.

Contrariamente aos vinhos tintos, no vinho do Porto branco, novo de cor normalmente amarelo palha, com o envelhecimento os vêm a adquirir cada vez mais cor, aparecendo os amarelo/dourado a amarelo/acastanhado e já nos vinhos brancos muito velhos a sua cor chega ao âmbar, confundindo-se com a dos vinhos tintos também muito velhos.

O vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard. Todos os outros vinhos que fiquem mais tempo a envelhecer na madeira pertencem a categorias especiais, quer porque as uvas que lhe deram origem são de melhor qualidade, quer por terem sido produzidos num ano excepcionalmente bom em termos atmosféricos. Assim, entre as categorias especiais, é comum encontrar os '''Reserva''', os '''LBV''', os '''Tawnies envelhecidos''' e os '''Vintage''', e, menos regularmente, os '''colheita'''.

===Reserva===
O Vinho do Porto Reserva é produzido a partir de uvas selecionadas de grande qualidade, e tanto pode ser branco como tinto. Em geral, ficam sete anos em maturação dentro da madeira, sendo depois engarrafados. Estes vinhos devem ser tratados da mesma forma que os ''standard'', isto é, não envelhecem dentro da garrafa (por isso, esta deve ser mantida sempre na vertical) e após a sua abertura podem ser consumidos num prazo não superior a seis meses. Os Reservas têm a particularidade de poderem ser bebidos quer como aperitivo quer como vinho de sobremesa. Caso escolha beber antes das refeições, aconselha-se a que se sirva gelado, mesmo tratando-se de um reserva tinto.

===Tawnies envelhecidos===
Como o próprio nome indica, estes vinhos envelhecem dentro de cascos de carvalho durante mais tempo do que os normais três anos. Existem, assim, os Tawny 10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, sendo que quanto mais velhos eles forem, mais claras se tornam as suas cores e mais complexos e licorosos ficam os seus sabores: mel, canela, chocolate, madeira... O rasto deixado por estes vinhos na boca do provador é inconfundível. Os Tawnies envelhecidos encontram-se entre os Vinhos do Porto mais caros do mercado.

===Colheita===
Não é muito habitual encontrar Vinhos do Porto com esta designação, já que por apresentarem características muito próximas às dos Tawnies envelhecidos, têm vindo a ser cada vez mais preteridos pelas empresas de Vinho do Porto.

Vinho de elevada qualidade proveniente de uma só colheita. Estagia em madeira durante períodos de tempo variáveis, nunca inferiores a 7 anos.

No rótulo, a palavra colheita é sempre seguida do respectivo ano, que foi considerado excepcionalmente bom para a produção de Vinhos do Porto Tawny. O vinho estagia cerca de 12 anos dentro de cascos de madeira, e apresenta cores claras, um acastanhado dourado, quase âmbar. O sabor de um colheita é muito semelhante ao de um Tawny 10 ou 20 anos, mas logicamente mais rico e elegante.

Durante o envelhecimento em casco, os aromas jovens, frutados e frescos, evoluem por via oxidativa, dando lugar a um bouquet em que sobressaem os aromas de frutos secos, aromas de torrefação, madeira e especiarias. No decurso do envelhecimento, vão aumentando a macieza, a harmonia e complexidade do bouquet. A cor evolui para o alourado, notando-se mesmo reflexos esverdeados nos vinhos muito velhos. Vinho de elevada qualidade obtido por lotação de vinhos de colheitas de diversos anos, de forma a obter-se uma complementaridade de características organolépticas. Estagia em madeira durante períodos de tempo variáveis, nos quais a idade mencionada no rótulo corresponde à média aproximada das idades dos diferentes vinhos participantes no lote e exprime o carácter do vinho no que respeita às características conferidas pelo envelhecimento em casco. Assim, um vinho 10 anos revela uma cor, um aroma e um sabor típicos de um vinho que permaneceu durante 10 anos em casco. Tal como os vinhos Data de Colheita, apresentam um característico bouquet de oxidação que se traduz em aromas de frutos secos, torrefação e especiarias, mais evidentes nos vinhos com mais idade. Na boca, revelam-se vinhos macios e harmoniosos, com um aroma muito persistente.
O Colheita 1994 é famoso por ter sido produzido num dos melhores anos de sempre para os vinhos do Porto.

===Vintage===
A designação Vintage é a classificação mais alta que pode ser atribuída a um vinho do Porto.
Considera-se Vintage o vinho do Porto obtido da colheita de um só ano, e é uma denominação atribuída apenas em anos considerados de excepcional qualidade.

Sofrem um envelhecimento em casco por um período máximo de dois anos e meio, sendo posteriormente envelhecidos em garrafa.

O seu potencial de envelhecimento é enorme sendo por isso recomendável a sua guarda por um período nunca inferior a 3/4 anos em garrafa. Este vinho deve-se tomar só depois das refeições e pequenas quantidades.
Com o envelhecimento em garrafa torna-se suave e elegante, desaparecendo gradualmente a adstringência inicial. Adquire, por isso, um aroma equilibrado, complexo e muito distinto. Aos Vintage com alguns anos em garrafa estão associados aromas de torrefação (chocolate, cacau, café, caixa de charutos, etc.), aromas de especiarias (canela, pimenta,...) e, por vezes, aromas frutados.


===Crusted===
É uma mistura de bons vinhos de várias ''vintages'', engarrafado depois de cerca de três anos na madeira. É uma das melhores alternativas ao verdadeiro ''vintage'' e forma um sedimento (ou crosta) na garrafa, precisando ser decantado.

==Principais Exportadores de Vinho do Porto==
Nos primórdios da história do comércio do Vinho do Porto, os ingleses eram das famílias mais influentes no negócio, uma vez que o mercado inglês era dos maiores consumidores mundiais do famoso néctar português. Com o passar dos anos outras nacionalidades tais como holandeses, alemães e escoceses prevaleceram igualmente no comércio deste produto português. As principais casas portuguesas eram a casa Ferreira, detida por D. Antónia Ferreira, Ramos Pinto e a Real Companhia Velha. (Retirado de Wikipédia)
Gaia tinha muita área disponível para erguer armazéns onde se pudesse maturar imensas quantidades do vinho. Ficava em local perfeito, junto à margem do Douro. Com isso, assumiu a liderança no comércio exportador e mantém a posição até hoje.
Resolvo entrar num lugar que se chama Pipas Bar. Passa do meio dia, cedo pra almoçar, mas estou cansada, já fui visitar o Mosteiro da Serra do Pilar, subida braba, quase chego morta lá em cima, mas valeu a pena porque a vista é magnifica. Pra descer peguei o funicular e entrei no Pipas. (até lembrei do tio Pipa.. risos).
Dentro uma jovem senhora de 40 anos, simpática, boa de papo que me atendeu muito bem. Atendendo à sugestão de um português peço pra comer a Francesinha. Calma, já explico.
'''Francesinha''' é um prato típico e originário da cidade do Porto, em Portugal.
Em Abril de 2011 foi considerada pelo Aol Travel: “Francesinha está entre os dez melhores sanduíches do mundo”.
Uma das teorias sobre a origem do prato remonta-o ao contexto da Guerra Peninsular, afirmando que as tropas napoleónicas costumavam comer umas sandes (sandes aqui é sanduíche) de pão de forma, onde colocavam toda a espécie de carnes e muito queijo. À época, entretanto, faltava um complemento que os portuenses passaram a acrescentar nas ditas sandes – o molho.
Atualmente, entretanto, parece haver alguma unanimidade em atribuir os créditos da criação do prato a Daniel David Silva, empregado do Restaurante “A Regaleira” na década de 1950. Tendo trabalhado em França, ao retornar a Portugal, Daniel Silva criou a francesinha com base na tosta francesa, o "croque-monsieur", e daí o nome. Tou indo a Paris e quero comer esse danado.
A francesinha é constituída por linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias e bife de carne de vaca ou, em alternativa, lombo de porco assado e fatiado, coberta com queijo (posteriormente derretido). É normalmente guarnecida com um molho à base de tomate, cerveja e piri-piri (pimenta). Os acompanhamentos de ovos estrelados (no topo do sanduíche) e batatas fritas são facultativos.
Existem variedades de francesinhas com cogumelos, galinha, bacalhau, atum, vegetais, entre outras. Eu adoreiiiii e a moça ainda trouxe mais molho, nham, nham. Fui tomando vinho verde, eu que não ia beber, e comendo a francesinha. Tinha um bêbado lá que não parava de me olhar e conversava sozinho ou com as muitas entidades invisíveis porque mantinha verdadeiros diálogos, só que olhando pra mim. Fui ficando desconfortável e pensei: será que porque hoje era dia de eu estar cantando no Sanatório Batuíra e Deus, ou seja lá quem for, resolveu botar um doido, além de bebum, no meu caminho que é pra eu me lembrar dos compromissos? Ah, não... Deus é pai, faria isso comigo não... Esse bêbado é que anda perdido e é melhor eu não beber muito senão nós 2, daqui a pouco, saímos de mãos dadas a cantar pela ribeira.. kkkk.
Dei uma olhada significativa pra moça, que me entendeu (porque nós mulheres nos comunicamos pelo olhar, né?) Daí ela veio ficar comigo e engatamos numa ótima conversa. Falamos dos homens, ou melhor, sobre os homens portugueses e brasileiros, tecemos comentários diversos, tudo na maior seriedade, gente. Queríamos, as duas, verificar se são muito diferentes, mas não são. É tudo muito parecido, afinal são homens. E são gente boa, claro que são. E muitas vezes fazem a mulherada sofrer, claro que fazem, mas como diz o tal BBB “faz parte”.
Ao acertar a conta ela me diz: tenho um presente para ti. E vem com um cálice de vinho do Porto, 10 anos. De li ci o so. Agradeço a ela, me despeço e vou andando, quase tropeçando, efeito do álcool. Passo pela vinícola Ramos Pinto, não entro. Entro na Sandeman, mas estava tão zuretada que não ia dar conta de nada. Só tiro fotos, vinho não dou conta mais. Terei que voltar e farei isso em outra data.
Buzu, metrô, hotel, banheira e cama.
Melhor presente do dia dos namorados não poderia haver. Talvez o Brad Pitt até me atrapalhasse porque olhando aqueles braços musculosos e bonitos a única coisa que eu pensaria em fazer seria dar uma injeção neles... kkkkk (foi mals Angelina).
Beijos meus lindos e queridos.

Porto

10.06 (relatos muito atrasados pra dar um descanso pros meus leitores e pra mim que ando cansada e sonolenta)
Feriado, dia de Portugal, dia de Camões.
Estou saindo da região de Estremadura e Ribatejo, indo para Porto e Douro.
Dentro do expresso, wi-fi a bordo, lá me vou conversando com vocês.
Acho que preciso explicar que expresso faz as viagens interurbanas e autocarros as urbanas, assim me ensinaram em Leiria.
Uma ligeira confusão na venda de passagens para uma senhora que fala alto com o motorista. Aguardamos todos, silenciosos.
Muito sono, mas prefiro olhar a paisagem e algumas vinhas já se fazem ver.
16 graus, clima bom e é verão. Estou adorando não sentir calor.
Chego tão cansada que só quero deixar as malas, almoçar e voltar pro quarto.
A noite chega e espero com ansiedade para assistir ao filme sobre a vida de Amália Rodrigues, sempre fui fã dessa cantora extraordinária. Estou jantada, banho tomado, debaixo das cobertas. Estou à grande aqui nesse Porto... afe!
Sono chega, desligo a tv, sorry Amália, o filme está ótimo, mas preciso dormir. Amanhã quero andar muito.
11.06 - O DIA SEGUINTE
Acordo, banho, café e metro. Sim, aqui não se fala metrô, mas metro.
O Íbis em que estou agora é fantástico. Grande, bonito, e é só descer pelo elevador apenas um andar que caio dentro de um shopping. Tem supermercado, água mineral barata, lojas, área de alimentação, demaaaais.
Vou ver se coloco uma foto da vista que tenho da janela do meu quarto.
Estão 10 graus, tem sol, mas sinto frio. Compro o meu bilhete direto da máquina, valido o bichinho e logo chega o tal metro que me levará ao centro histórico. No trajeto vou lembrando do dito popular “enquanto Coimbra estuda, Lisboa se diverte, o Porto trabalha e Braga reza”. Vou ter que conferir.
Desço na Estação São Bento. Linda, muito bem decorada com os famosos azulejos portugueses. Fico admirando durante algum tempo, depois ganho a rua e vou fotografando os belos prédios antigos. Em seguida pego o buzu vermelhinho que faz passeios turísticos pela cidade e vou pro segundo andar pra curtir melhor a paisagem. Ele dá muitas voltas, coloco o fone de ouvido, ouço os fados. Estou mesmo em Portugal, falo comigo mesma. E estou feliz aqui.
Quando chegamos ao mar do Porto tento reter aquele azul. Acho que é o azul mais bonito que já vi, muito parecido com o mar de Salvador. Não quero esquecer. A areia muito branca e muitos corajosos de biquíni ou maiô tomando sol, acreditam? Eu fotografei.
Desço do ônibus. E vou caminhar pela Ribeira. Gaivotas ou que ave será essa que voa sobre o rio e faz uma algazarra gostosa? É branca, grande, bonita. Come vísceras de peixes.
Em momento algum me sinto sozinha. Tenho experiência de estar comigo mesma e gosto da minha companhia. Aquele tempo em que parecia impossível não ter alguém sempre ao lado ficou lá atrás. Não estou querendo dizer com isso que não seria bom ter uma pessoa, mas teria que ser tão disponível, tão especial, tão bom caráter, tão bom tudo que, na falta dessas qualidades, melhor estar assim, livre, leve e solta.
Ando à beira do Douro, sento numa escada de grandes degraus que vai até o rio. É alto o barulho que faz ao bater na margem, dá vontade de enfiar os pés, mas o rio é fundo, a água é fria, não convém. Apeteceu-me (aqui falam assim, acho bem bonito) tomar um vinho e são tantos os bares e restaurantes que fica difícil escolher. Vejo um de fachada despretensiosa, mas movimentado. É pra lá que vou.
Peço um vinho branco e vou “bicando” devagarinho, dessa vez não fiz como a “imperial”, mas não resolveu muito, fiquei tontinha do mesmo jeito. Como a época é a melhor possível pra se comer as famosas sardinhas do Porto fiz o pedido.
Elas vêm inteirinhas, assadas, em volta batatas. A entrada compõe-se de pães, broa, bolinhos. Quero recusar a entrada, pois vivo deixando sobrar comida, mas o moço garçom não deixa, me diz que as sardinhas devem ser comidas com o pão e as broas. Não discuto e não é que ele está certo? Muito bom mesmo. Sobrou batata, pão, broa, mas as sardinhas... Essas não.
E depois do almoço fui andar na ponte São Luís, a vista é muito bonita e muitos turistas admirando o Douro.

O PASSEIO DE BARCO
Entro e sento-me no barco. Ao meu lado um suíço puxa conversa, entendi nada... Quando falei em português ele respondeu em espanhol e fomos tentando nos entender... Chega uma francesa e já engatam num papo. Fui tirando fotos e apreciando o passeio.. De vez em quando ele me perguntava alguma coisa... Bacana ele, bem viajado, conhece o Brasil, Peru, Bolívia, Argentina e sei lá mais o quê.
O Douro é lindo e só quem faz o passeio sabe o que estou dizendo, não dá pra descrever aqui e espero que as fotos deem uma pálida ideia do que digo. O barco vai devagar e a brisa no rosto é suave. Apesar de passar filtro solar fico vermelhinha, pareço o vovô Juca. Só me faltam os olhos azuis.
No final da tarde chego ao hotel. Banho, nenhuma fome, e as sardinhas não me deixam esquecê-las. Bebo água, estômago pesado, e agora? Não trouxe nenhum digestivo, não tenho costume de tomar e vou a uma farmácia de produtos para dieta. Encontro chá (aqui se chama tisana), leio e vejo que tem boldo na composição. É esse. No hotel me dão uma chávena com água quente, deposito o saquinho, tomo devagar. Duas horas depois já pude tomar uma sopa. Como queria conhecer a sopa de pedra de Portugal fui ao restaurante.

A SOPA DE PEDRA
Sopa de pedra
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Sopa da pedra em Almeirim


Sopa de pedra


Estátua dedicada ao frade da lenda da sopa da pedra, em Almeirim.


Restaurantes de sopa da pedra em Almeirim
Sopa de pedra ou sopa da pedra[1] é uma sopa típica da culinária de Portugal, em particular da cidade de Almeirim, situada no coração da região do Ribatejo, considerada a "capital da sopa da pedra".
Ao contrário do que o nome indica, a sopa de pedra é uma sopa com muitos ingredientes, em que a “pedra” é apenas o “pretexto”. Aparentemente, esta designação encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base uma lenda ou fábula.
Sopa de Pedra é igualmente o título de um livro de banda desenhada, traduzido duma edição norte-americana com o título Stone Soup.
[editar] Portugal
Um frade pobre, que andava em peregrinação, chegou a uma casa e, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, pediu aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa – de pedra... E tirou do seu bornal uma bela pedra lisa e bem lavada. Os donos da casa ficaram curiosos e, de imediato, deixaram entrar o frade para a cozinha e deram-lhe a panela. O frade colocou a panela ao lume só com a pedra, mas logo disse que era preciso temperar a sopa... A dona da casa deu-lhe o sal, mas ele sugeriu que era melhor se fosse um bocado de chouriço ou toucinho. E lá foi o unto para junto da pedra. Então, o frade perguntou se não tinham qualquer coisa para engrossar a sopa, como batatas ou feijão que tivessem restado da refeição anterior... Assim se engrossou a sopa “de pedra”. Juntaram-se cenouras, mais a carne que estava junta com o feijão e, evidentemente, resultou numa excelente sopa.
Comeram juntos a sopa e, no final, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal... para a sopa seguinte![2
Brasil-Há outras versões desta história. Em uma delas, comum no Brasil, o frade é substituído por um malandro ou Pedro Malasartes, e a dona da casa é uma senhora conhecida na comunidade por negar auxílio a quem quer que seja. O malandro aposta com um amigo que consegue todos os ingredientes da sopa de graça com a senhora avarenta. Esta, movida pela curiosidade sobre a sopa de pedra, fornece-lhe um a um os ingredientes. Embora a história seja levemente diferente, esta versão passa a mesma moral, que a cooperação pode levar a resultados inesperadamente bons.
Referências
1. ↑ [editar] Ligações externas
• C2 Wiki: Stonesoup
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Sopa_de_pedra"
Categorias: Fábulas | Sopas | Almeirim (Portugal)
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Gostei muito dessa sopa, pedi meia porção e foi mais que suficiente.
As pessoas no Porto são bem mais falantes e acolhedoras que as de Leiria, parecem os nossos mineiros do interiorrr. Quando você pede uma informação faltam te levar no lugar, uma belezinha, mas das cidades que visitei a que eu moraria? Leiria.
Boa noite.. zzzzzzzzzzzzzzzz
Bj

Óbidos

09.06
Óbidos
Quase sem palavras pra descrever a beleza do lugar.
Quem me conhece mais de perto sabe que sempre gostei de Ouro Preto, São João del Rey, Tiradentes e Pirenópolis. As construções são lindas, herança dos portugueses, então podem imaginar como estou de queixo caído aqui. Imaginem eu com a boca aberta. Pois então, tou assim.
Como sempre vou caminhando até a rodoviária, os tais 2 km pra ir e 2 pra voltar, mas preciso dar um jeito de expulsar as calorias que venho ingerindo, das comidas e dos vinhos. Realmente resolvi ligar o botãozinho do “foda-se” e bebo e como o que eu quero. Depois das 18h dou uma freada básica, fico no mais leve, mas durante o dia regalo-me.
Dia frio, 13 ou 14 graus. Esse é o clima normal da região no quase verão, assim me disseram. Garoa que nem a de São Paulo. Capa de chuva da Paulinha (brigadinha, nora) e lá vou eu.
Apesar de estar bebendo muita água sinto a boca seca. Sempre. Será do álcool??? Claro que não, é do sol gente!
Há música nos expressos e nos autocarros, mas em volume moderado, não chega a irritar. Outra coisa, aqui não tem ninguém pra colocar as malas no bagageiro, não me lembro se já comentei sobre isso. Você é quem coloca sua mala porque ninguém irá fazer o serviço pra você. No Brasil percebo que tem emprego demais, gente trombando em gente todo o tempo e quanto mais gente tem, mais mole o povo fica. Aqui é comum ver, nas áreas de alimentação dos shoppings, apenas uma pessoa pra atender você. E trabalham rápido. Com a crise precisam estar comprometidos e valorizam o emprego que têm, é o que venho observando.
Estou em paz e é um prazer apreciar a paisagem.
Chego em Caldas da Rainha e o motorista diz que temos 20 minutos e vou andar em volta da rodoviária. Não há nada de muito interessante pra se ver, tiro algumas fotos, volto correndo senão perco o ônibus.
E entramos em Óbidos. Muitos turistas, gente bonita, gente idosa, jovens, de tudo um pouco. A língua que menos se ouve é a portuguesa. Na entrada, um músico. Peço pra tirar uma foto com ele e deixo uma moeda que ele agradece. Ele canta bonito, sinto vontade de ficar ali, mas tenho muito o que ver e entro na cidade que é toda murada, linda, linda. Muitas lanternas grandes, ruas bem estreitas, de pedra. Por duas vezes tropeço e quase racho os bico no chão, não é fácil andar, mas vou embora, de boca aberta. Vai uma bacia aí, por favor, que é pra aparar porque eu babo.
A cidade é cercada por muros medievais. E voltamos aos tempos ma ra vi lho sos de antigamente(pelo menos nesse aspecto) – A partir de 1282 a cidade era o presente de casamento tradicional dos reis de Portugal a suas esposas. O principal doador, D.Dinis, aquele mesmo que deu o palácio real que fica dentro do castelo de Leiria para sua rainha, Isabel. (tou achando que esse tal Dinis era um sujeito danado de gastador). Ele construiu um castelo em Óbidos que é hoje uma das mais caras e prestigiadas pousadas de Portugal. Uma longa rua central corta a cidade. Dela saem muitas outras, bem íngremes, além de lances de escadas e pequenas praças com pavimento de pedra, todas cheias de flores e casas caiadas. É um prazer caminhar nessas ruas, há que se ter pernas fortes, as panturrilhas chiam, mas fui andando e sentando. Minha intenção era andar em volta da muralha, toda ela, e consegui. Tudo bem, levei mais de duas horas, mas valeu a pena. Evitei olhar pra baixo porque sou mole pra sangue e altura, então vamos evitar. Achei o lugar de caminhar estreito, mas não vou aqui botar defeito em muros de sei lá quantos muitos anos. A vista lá do alto é linda, dá pra se ver a área rural em volta. Um pai, meio riponga, quer tirar foto do filhinho e minha barriga esfria. Menino é bicho doido, vai que escorrega e cai lá embaixo? Desvio o olhar, nem quero ver. O pai nem lhe dá a mão e a criança vai sozinha encostar-se ao muro. Afe.. Tiro foto dos dois e me mando.
Enquanto dou a volta na muralha preciso pedir licença para um mancebo e logo vi que era mineiro. Ueba, peço uma foto e engatamos num ótimo papo que mineiro é outra coisa, né? E o tal Francisco ainda é de Beagá, minha cidade. Com aquele jeitão, bem conhecido por mim, já foi reclamando da mãe, que ele queria andar mais em Óbidos e ela queria era ir logo pra Fátima. Ele irritado, está adorando o lugar, mas vamos andando e ele reclamando. A senhorinha está na cadeira de rodas e tem 90 anos. E ainda machucou o joelho na viagem, mas quer ir a Fátima e ele vai.
Resolvo parar pra tomar o licor de ginjinha, feito de cerejas. Tem uma plaquinha que diz: beba o licor e coma o copo. Claro que eu quis, o copo era de chocolate, mas pequeno. Que combinação perfeita... O sabor da cereja, alcoolizada... rs, e o chocolate daqueles bons.. nham... nham... Fui embora correndo de medo de repetir.
Uma particularidade nos portugueses: tratam muito bem as crianças, brincam e conversam com elas todo o tempo. Elas vão aos restaurantes com os pais, nos almoços, jantares, estão sempre por perto. Os donos dos restaurantes lhes dão enorme atenção e percebo um carinho tão grande, carinho de verdade mesmo, não é comercial. Vejo esse comportamento também nas praças, parques, em todos os lugares. Crescem meigas e educadas. Muito lindo isso.
Noto também que tanto os homens quanto as mulheres dão bronca nos parceiros muito facilmente, principalmente os mais idosos. Muito mais que no Brasil, mas parece ser normal por aqui. Nós, brasileiros, se levarmos uma bronca dessas dos nossos amados, afe Maria, emburramos de verdade.
Tasca Torta – O restaurante que escolhi em Óbidos. Lugar simpático, o moço que me atendeu era muito acolhedor, bem preparado pra atender ao turista. Eu queria conhecer a “espetada” que é muito boa. Num espeto grande imaginem aquela parte do porco que fica na barriga, pedaços macios e bem temperados e entre eles pimentos (pimentões) e cebolas, tudo assado. Por cima folhas frescas de alecrim e salsa. Tomates partidos ao meio assados com a carne. Como o chef me ouviu dizer que não queria arroz e nem batatas ele fez um arranjo delicioso – parece anguzinho frito de São Paulo, ou seja, polenta, mas é bem mais gostoso. Fez uma salada verde e salpicou sementes de romã. Gente, deu um sabor que não imaginam. Nem o cachorro comeu porque não sobrou nadinha. O atendimento foi ótimo, recomendo.
Pago, agradeço e vou andando, já saindo da cidade murada. Como sempre paro numa loja pra comprar meu imãzinho de geladeira. Os comerciantes das cidades do interior são bons de papo e fico por ali de prosa com a senhorinha, mais ou menos da idade da mamãe, trabalhando sozinha. Eu falo que esses portugueses são trabalhadores, gente, tanto os novos quanto os muito idosos. E a senhora vai me falando que o país está cheio de imigrantes e que ela não é contra, já que muitos portugueses foram para o Brasil, mas que os brasileiros são maus. E vai me contando os crimes que cometeram por aqui, muito assustada. E me fala assim: cuidado com os “escuros”. Mal sabe ela que “os claros” também podem ser muito maus, mas não falo. Concordo, pago e me despeço.
Desço para pegar o ônibus. No ponto duas lindas moças japonesas e já fiquei grilada: putzgrila, será que terei que falar japonês também??? Não deu outra. As duas queriam saber se o ônibus pra Lisboa parava ali. A única palavra que entendi foi Lisboa e atravessei a rua pra me informar com as pessoas que aguardavam e, com o meu japonês fantástico (aquele com muitos gestos), disse-lhes que atravessassem a rua pra pegar o tal expresso. Elas ficaram tão felizes com a informação, e porque nos entendemos, que as duas começaram a bater palmas pra mim. Foi muito legal. Em seguida senta um casal da Bélgica ao meu lado e conversa vai, conversa vem, (tão duvidando?) trocamos opiniões sobre a cidade. Ela me diz que achou bonita, mas muito turística. Uai, penso eu, algum problema? Turismo é importante, não tira a beleza de nada e ainda traz dinheiro pro país. Estamos muito acostumados a isso no Brasil. Não entendi o que ela quis dizer, vocês entenderam? Por favor, dêem seus pareceres. (Nota de Wanda Saramago: a belga falava português razoavelmente).
Volto pra Leiria. Amanhã irei pra Porto.
Quando chego ao hotel a rata do dia: Descubro que tranquei a mala com as duas chaves do cadeado dentro. Mãe do Túlio mesmo e me pergunto: será que o Thiago é meu filho mesmo ou trocaram ele no hospital porque ele não faria uma cagada dessas. Aciono o serviço do hotel. Em meia hora resolveram meu problema destruindo o cadeado, mas há destruições que são para o bem e essa foi uma. Não cobraram nada pelo serviço.
Obs.: O Thiago é meu filho sim e de mim só puxou as boas qualidades... rs... E vejam a placa, até uma casa aqui ele tem!
E os gatinhos que encontrei, bonitinhos demais.
Inté qualquer hora...
Muitos beijos recheados de vinho, bacalhau e chocolateeeeee.
3415,3435 3457 3462 3489 3491 3522

Fátima

FÁTIMA
Finalmente chega o dia de conhecer Fátima.
Rotininha boa de sempre, banho, pequeno – almoço (que eu já tou quase virando uma portuguesinha de verdade). Depois é escovar os dentes, colocar agasalho e ganhar a rua. Vou caminhando até a rodoviária que é pra fazer exercícios logo cedo e vou sentindo o frio gelado. São apenas 2 km que faço com tranquilidade e agradeço os quatro meses de academia. Está bem tranquilo.
Viajo num daqueles autocarros pequenos, tipo van do Brasil, e o motorista pega a autoestrada. Paisagem bonita, muitos pinheiros, hortênsias, flores diferentes que vou namorando pelo caminho.
Vou me lembrando da história dos três pastorinhos Francisco, Jacinta e Lúcia que viram um clarão de luz e uma mulher mais clara que o sol, em pé, nos galhos de um carvalho. Ela pediu que voltassem no mesmo dia do mês pelos seis meses seguintes, e prometeu que, ao fim desse tempo, contaria quem era e o que queria. Embora apenas as crianças pudessem ver a Virgem, e Lúcia fosse a única capaz de ouvi-la, multidões iam surgindo a cada mês. Em outubro havia mais de 70 mil presentes.
A Virgem, segundo consta, revelou três segredos a Lúcia. O primeiro era uma profecia de paz, o segundo previu a chegada do comunismo à Rússia e o terceiro profetizou a tentativa de assassinato do papa João Paulo Segundo em 1981. Nos anos seguintes o culto foi crescendo e a basílica foi concluída em 1953. Francisco e Jacinta morreram pouco tempo depois da última aparição. Lúcia morreu em 2005. Hoje o santuário atrai milhares de peregrinos. Por volta dos dias 12 e 13 de cada mês as multidões se aglomeram para pagar suas promessas e rezar para a Virgem. (Pesquisas Internet)
A história não pára aí, é muita linda! Interessante é que eu era menina quando ouvi falar disso e, apesar de não ser católica, nunca esqueci. E fui primeiro ao museu de cera e são bacanas demais os bonecos, bem vestidinhos à moda portuguesa, contando-nos os fatos. Nem dá vontade de sair de lá e se eu pudesse ficava ali o dia inteirinho captando cada detalhe. As roupinhas, a expressão das crianças, da Virgem, dos pais é de uma beleza tão singela, nos leva à infância. Fotografei bastante e nunca irei esquecer-me desse passeio.
Depois comprei lembrancinhas pros meus queridos todos que são muitos... E fui ao santuário. Fiquei boba com o tamanhão. A esplanada pode abrigar até um milhão de pessoas e é duas vezes maior que a Praça de São Pedro, em Roma. A basílica neoclássica, com seu altar aberto, em frente a uma vasta torre, tem capacidade para 300 mil pessoas. Francisca, Jacinta e Lúcia estão enterrados nessa basílica.
Fui também à Capela das Aparições que foi erguida onde supostamente a Virgem apareceu e ficam por ali muitos peregrinos. Vi um jovem ir ajoelhado até o santuário e pensei: eu com esse joêi operado meu não consigo nem ajoelhar-me, quanto mais ir “ajoelhando” como esse moço.
Comprei velas. Outra coisa que achei legal, tem velas de todos os tamanhos, em caixas organizadas, com o valor respectivo. Ao lado de cada caixa tem a entrada para se colocar as moedas ou notas. Ninguém fica te vigiando, apenas há um aviso pedindo que deposite o valor correspondente à sua compra. Aprendam brasileiros! Acendi e orei pra quem pediu e pra quem não pediu também. Fiquei ali fazendo minhas preces e pedi pela paz em nosso planeta. Agradeci também, claro. Conversando com um morador de Leiria e, lembrando como são as festas religiosas no Brasil, perguntei a ele se em Fátima não virava festa barulhenta, com pessoas querendo ganhar dinheiro, etc.. E ele me disse que de jeito nenhum, que o lugar é considerado sagrado e as pessoas são muito respeitosas. Fiquei feliz e espero que os portugueses nunca aprendam coisas tristes com a gente brasileira.
Atendendo à sugestão da minha barriguinha fui ao Restaurante “Zé Grande”. Tenho olhado no guia, mas ando preferindo perguntar aos portugueses onde eles preferem comer. Geralmente os preços do guia são altos e tenho dado sorte porque é cada comidão bom, gente! Então, atendeu-me outra jovem senhora, alegre e atenciosa. Falei a ela que já sabia o que queria e podem morrer de inveja: bacalhau com natas, salada, nham nham. Escolhi também uma entradinha – pães caseiros, queijo curado de ovelha. Ave Maria, Jesuisinho, que queijo maravilhoso. Gracias, ovelhinha. Tirei-a do pensamento e mandei pra dentro, uma delicia. Quem for a Fátima anotem o nome desse restaurante, vale a pena. Preço ótimo, com suco, entrada, salada e o bacalhau paguei 12.50 euros. (por favor não converta Tinim). O bacalhau vem num prato de cerâmica, mais quente que as portas do inferno, mas nós gostamos assim né filhos? E olhando a calma da rua fui comendo e dizendo amém... Pra encerrar um garoto (que é o nosso pingado aí.. leite com café).
E depois fui pra rodoviária. Lá chegando uma francesa vem me perguntar se sei onde é o Hotel Imperial. Digo “Je ne parle pas Français” e ela ficou sem entender porque eu já tava era falando.. risos... Também não ia adiantar falar francês porque eu não ia saber mesmo onde é o tal hotel. E lasco um “je suis brésilien”, não conheço nada aqui. Ela agradece e entro pra comprar o bilhete de volta. As rodoviárias que tenho conhecido têm banheiros limpos e organizados, sempre com papel higiênico, toalhas, e você não vê ninguém limpando. Fiquei sabendo que em Leiria a limpeza das ruas, a retirada do lixo, tudo é feito durante a noite e a gente não escuta barulho algum. Bem que eu notava que tudo é muito limpo por aqui e, logicamente, esse serviço tem que ser feito em algum horário. Durante a noite é uma boa pra todo mundo, não acham?
E sigo para o Íbis, hotelzinho com ótimos serviços, estou gostando pra caramba.
Quero ir ainda hoje ver o mar de Leiria.
Bora... Bj

O MAR DE LEIRIA E A MATA DE PINHAL
Imaginem uma grande floresta de pinheiros, mas ponham grande nisso. Andei de jipe dentro dela por muito tempo e é lindo demais. Depois fui a uma bela e intocada praia. O mar super limpo, mas bem perigoso, nunca me aventuraria a entrar nele. As placas estão sempre a indicar (como dizem por aqui) sinal amarelo ou vermelho. Raramente vemos o tal sinal verde. E saí do carro e desci nas dunas até o mar. Fazia muito, muito frio. Ventava bastante e não consegui ficar muito tempo. Resolvo subir, era bem íngreme, a areia pesada, cheguei com o coração na boca lá em cima. Achei até que viria a óbito... rs... Mas valeu.
Conheci também o Parque Natural das Serras de Aire. Fica entre Fátima e Batalha e é conhecido pela sua altitude e montanhas de calcário. Um frio lá em cima que só vendo, mas o ar é tão puro que dá muito prazer deixá-lo invadir os pulmões. Tem trilhas para caminhadas bem sinalizadas e é uma mistura de montanhas e terras de cultivo. Muitas cabras, lindas (ando comendo queijinho delas quase todos os dias, alternando com o das ovelhinhas). Tem muitas cavernas também, mas não entrei em nenhuma delas, já estava ficando tarde. Belo passeio, mas não levei a máquina. Antânia!
Bj

(fotos pastorinhos, 3159, 3162, 3165, 3166, 3168, 3169, 3239, 3277,3300, 3309, 3314, 3315, 3319,3322, 3358

Igreja em Leiria

07.06
A pessoa dormiu demais, até às 9h45m. Um silêncio, nada te incomoda no hotel. Ainda não tinha acontecido, mas no problem, tou de férias. Se aconteceu é porque estava precisando, afinal tenho andado bastante. A vontade de conhecer muita coisa é grande e o único problema de acordar tarde é que precisei andar por aqui mesmo.
Enfiei o pé na jaca e tomei um café da manhã que mais parecia um almoço, bom demais da conta.
E rua.
Fui a uma igreja lá no alto... Encarnação. E, depois do castelo de Leiria, foi o que mais me impressionou. Pedi ajuda a Nossa Senhora dos operado dos joêi e fui subindo, subindo e fotografando, fotografando e subindo. À medida que subia, o frio aumentava, uns 14 graus, e ventava que a máquina até tremia, mas cuidei direitinho, viu filho?
Eu estava bem agasalhada com o blusão do Túlio (brigaduuu) e minha sandalinha adidas de mochileira tá uma maravilha, vou até usar mais em Goiânia quando voltar, isso é, se eu voltar... Kkk
Haja pernas pra tantos degraus, mas devagar e sempre cheguei. O ar puro entrava nos pulmões sem pedir licença e era bom demais. Estava com vontade de ouvir uns sambas e chamei o grupo Fundo de Quintal pra ir comigo na empreitada. Isso me animou muito, o ritmo ajuda qualquer um.
Fiquei um tempo curtindo a paisagem e é incrível como não penso em nada nesses momentos, por isso que viajar e conhecer coisas diferentes faz bem pra gente.
Depois foi descer e andar nas lojas, conhecer o centro histórico melhor, e é bem bonito.
Meninas, vocês não fazem ideia de uma coisa: aqui em Leiria a loja Zara é a mais barata... risos... Quase caí pra trás quando vi camisetas femininas, lindas, por 3,50 euros. Mas viajar não é pra comprar, é pra gastar com outras coisas, penso eu, e fiquei besta de ver sandálias chics por 19,00 euros. E pensar que evito comprar na Zara do Brasil! Bem, até poderia comprar, mas acho desaforo pagar o que pedem por lá. E percebo que estou certíssima, melhor comprar produtos locais, mais barato.
Lindo lugar, um silêncio, ninguém, só eu e meu anjo de guarda, claro. Você vê a cidade lá do alto, a paz que invade a alma é grande e falei assim: obrigada Papai do Céu... Aproveito pra te fazer um pedido – na outra encarnação faz eu nascer turista porque tou gostando por demais. Amém!
Na volta passei no Turismo e me atenderam duas jovens senhoras que nem esta que vos fala, uma angolana e a outra francesa. Relembrei algumas palavrinhas do francês que ela foi me ajudando. E o papo rolou animado porque a angolana ama o Brasil e já trabalhou em Beagá, Rio e São Paulo. Faz três anos que voltou a Portugal, problemas com o filho que se envolveu com drogas, uma lástima. Vemos tanto isso no Brasil e sei o inferno que é. Mostrou-me fotos dele, um belo rapaz, 32 anos, casado, uma filhinha fofa de quatro. Ela, muito triste, mas muito forte, vai me contando. Eu lhe dou forças, digo que oração de mãe tem muito poder junto à Virgem Maria e que ela orasse todos os dias. E, claro, a partir daquele momento iria pedir por ela e por seu filho também. Trocamos telefones, endereços, mais gente legal que vou conhecendo.
Andei muito e lá pras 15h resolvi almoçar. Escolhi um lugar bonito, o restaurante é todo envidraçado e bem arrumado – Cervejaria Camões. Daí foi pedir uma cerveja porque a sede era muita e tomei no modelo Wanda que Thiago e Túlio conhecem bem.. risos... Gelada (não tanto quanto aí em casa) e bem depressa – o resultado foi o de sempre, uma tontura do capeta. Estômago vazio, a cerveja bateu, a cabeça fez “toimmmm” e fiquei “bebinha”. Ainda bem que era uma mini e o foguinho passou assim que chegou o Bife a Portuguesa: coração de alcatra grelhado na frigideira, puxado no alho e louro refrescado com vinho branco. Por cima parma. (ai, como é bom ser rica...). No lugar da batata frita pedi vagens e cenoura cozida. E vieram nadando no azeite delicioso daqui. Puta que pariu, vai ser bom pra lá. Comi tudinho, veio a quantidade ideal para mim. O cara do restaurante, um gayzinho dos mais grã-finos, me atendeu super bem e, ao acertar a conta, dei uma gorjeta legal (que eu detesto pobre) e ficamos conversando. Voltarei lá pra experimentar o bacalhau com natas. Uhuuuuuuuuuu..
Hotel, banho, roupa de frio, echarpe nova e chocolate quente com bolo. E vou dormir agora porque quero acordar mais cedo e ir à Fátima.
Depois eu volto...
Bjs meu eleitorado...
PALAVRINHAS NOVAS
- Machucar = aleijar (a palavra machucar não existe aqui, se você falar ninguém sabe o que significa; já no Brasil, se aleijarmos alguém, o coitado vai diretinho pra cadeira de rodas, né não?).
- ok, certo = pronto (palavra muito utilizada aqui, aliás, o tempo todo e sempre quando dizemos ok, certo, o português diz “pronto” e é bonito demais). Eles são impecáveis com a língua e dá prazer ouvir.
- bom = fixe (usado muito na politica)
- bacana = “é giro”, “é muito giro” – muito usado aqui pelas crianças e jovens de até uns 50 anos, pelo que percebi. O termo “legal”, que também usamos aí, aqui somente é utilizado para assuntos relativos à lei, portanto nossos irmãos ficam meio assim, com uma carinha esquisita, quando digo “que legal”.
Obs.: quem me conhece sabe que brinco demais com esse negócio de pobre... Please, não levem a sério minhas abobrinhas, é que sempre adoreiii o nosso Miguel Falabela que abusa do assunto.

Batalha

BATALHA
Saio de Nazaré, dentro do ônibus observo a neblina e penso que meu plano irá furar. Antes tivesse porque se eu soubesse que a temperatura iria baixar ainda mais eu não teria descido daquele ônibus nem morta. E eu sem agasalho, antânia que sou. Desci e como em Batalha tem apenas o mosteiro pra se ver, além da igreja, fui rapidamente até lá, comprei o ingresso e entrei. Gostei muito desse mosteiro, é bem imponente, arquitetura em estilo gótico francês. Uma beleza de se ver. A igreja também é linda e vai aqui um pouco de História que pesquisei na internet.
“O exterior amarelo-claro é uma profusão de pináculos, arcobotantes, agulhas, parapeitos e torres, a mais acabada expressão de uma forma particularmente ornamentada do gótico francês. A maior parte dela foi construída entre 1388 e 1434, com acréscimos posteriores no século XV e início do XVI em estilo manuelino. O interior é simples, com suas linhas verticais elevando-se a partir de sólidas pilastras para acentuar a abóboda de um modo que lembra as catedrais inglesas contemporâneas como as de York e de Winchester. O coro é iluminado por vitrais, usados pela primeira vez nessa abadia e desenhados e instalados por artesãos de Flandres e da Alemanha.”
Saio da igreja e encontro um grupo de japoneses, uns 60 mais ou menos, com um guia japonês falando e eu entendendo tudo.. risos... Eu lá no meio deles todos. Seguimos até à Capela do Fundador. Debaixo da claraboia ficam os túmulos de João primeiro e Filipa de Lancaster; seus filhos mais novos jazem em recintos recuados. O segundo da direita é o túmulo do príncipe Henrique, o Navegador, aquele que desenvolveu as técnicas portuguesas de navegação. D. Duarte, o filho mais velho, está enterrado no santuário. Depois segui para o Claustro Real. Os bordados em pedra são lindos. As grades do claustro são enfeitadas com cruzes, símbolos da Ordem de Cristo. As colunas são decoradas com elaborados trabalhos em corda, pérolas e conchas (não sou essa sabichona não, ando pesquisando muito no Google). Saindo do claustro fica “O Capítulo”, estrutura em abóbada do século XV, cujo teto sem apoios se estende por mais de 20 metros. Era um projeto ousado e havia grande receio de que o teto desabasse. A construção foi considerada tão perigosa que apenas criminosos condenados à morte trabalharam nela. O arquiteto dormiu ali na primeira noite depois que retiraram os andaimes para tirar a prova. Hoje é um santuário nacional, contendo o Túmulo do Soldado Desconhecido de Portugal (existem dois), guardado dia e noite pelo exercito português. Tem também as capelas imperfeitas, que são sete. Fotografei os túmulos de D.Duarte e sua rainha Leonor de Aragão que estão lado a lado em uma dessas capelas. É muita História e tenho adorado conhecer tudo.
Parei num café, pedi um chocolate quente, um pastelzinho de Belém e ensaiei a volta. No ponto muitos estudantes e conheci uma universitária que estuda em Coimbra e ficamos conversando por um bom tempo. Tenho gostado muito dos jovens daqui, aliás, por ser uma pessoa de mente mais aberta sempre tive facilidade de lidar com os mais moços, mesmo no Brasil, e quando viajo abro-me mais para relacionar porque é bom conhecer gente, aproveitar o que há de melhor nela, doar o melhor de mim e ir embora sabendo que nunca mais irei reencontrá-la. São relações leves e me agradam.
Cheguei ao hotel, banho quente demorado (perdão planeta, mas eu tava precisando), jantar. Escolhi Arroz de Pato e confesso que precisei fazer um trabalho mental e esquecer a visão dos meus patinhos nadando no tanquinho da chácara. Balancei a cabeça, sacudi a lembrança e comi. O pato é assado, muito macio e no meio do arroz vêm picadinhos o fígado e outras coisitas que não identifiquei. Ah, sim, veio pedacinhos de bacon também. Achei gostoso, mas consegui comer apenas 1/3.
Agora é ir pra rua ver se consigo uma bolsinha pra carregar moedas. Eu que faz mais de 30 anos que não pego um ônibus em Goiânia vejo-me aqui precisando e muito dos autocarros porque apesar de andar bastante a pé tem distâncias que meu pezinho lindo não aguenta..
Vambora...
RATA DO DIA: Motorista para o autocarro, entro e sento na cadeira do lado direito ao lado da janela. E tou que olho a paisagem e o motorista tá que olha pra mim e o ônibus parado. Eu com meus botões: que diabo esse motorista tá olhando desse tanto pra mim, tá parecendo brasileiro encarado, português não é assim... Ele calado. E minha ficha cai, tinha esquecido de pagar a passagem. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Esta sou eu. Pedi desculpas, ele sério, paguei.
Jesuis me ajuda e ajuda também meus irmãos portugueses a não darem enfarte de tanta raiva de eu...

Fotos 2981, 2998, 2999, 3001, 3012, 3020,3055

Nazaré

6.06 –
NAZARÉ
Andando...
Caí da cama às 6h da manhã, banho, suco de laranja que aprendi a fazer com o filho de Deus, café, máquina, mochila, grana e ponto de ônibus, ou seja, autocarro. Meia hora depois tou dentro. E vou olhando a cidade rumo à rodoviária. Quero conhecer Nazaré. Como não sabia o horário do buzu tive que esperar 1 hora, mas “no stress”, estou passeando oxente. Humor melhor não pode haver desde que me aposentei ou me reformei, como dizem os irmãos portugueses.
Preferi pegar o ônibus que vai por uma estrada, que não é a autoestrada, para conhecer os lugares, as casas das pessoas mais idosas, mais afastadas da cidade. Gente do céu, é lindooo. Estou cada dia mais apaixonada pelo país. E vou gostando também das portuguesas que vou conhecendo nas “paragens” dos expressos, umas novas, outras mais velhas que eu. Tem gente de todo jeito e isso é assim em todo lugar, então noto que nas aldeiazinhas ou vilas (vila no Brasil é uma coisa feia, aqui é uma lindeza) as pessoas são mais receptivas e conversam comigo. E a viagem segue.
Estamos chegando e já vejo o mar e as casas branquinhas, muitas casas. Assim que chego ao calçadão fico agradecida! Não é que descobriram que eu não gosto de pisar na areia e mandaram fazer uma passarela de madeira só pra eu passar Leiloka? Mas ela não vai até o mar e quando acaba meus pés vão direto pra areia e a sensação é ótima, não é fina, portanto não me amola. Fico ali sentindo o cheiro do mar, como é bom, e volto aos tempos da praia de São Francisco e de outros mares que conheci. O barulho do mar é música pros meus ouvidos e olho, olho, olho, mato as saudades e vou caminhando devagar. Não penso em nada, só em sentir o calor da areia.
Nazaré é uma pitoresca vila pesqueira e é comum ver mulheres transitando do porto para a cidade com cestos de peixe na cabeça. Lindas praias, excelentes restaurantes de peixe e frutos do mar. Gente bonita, muitos turistas nos bares e cafés. Como tem cafés por aqui e em Leiria também. Lá no alto, a 110m, tem um lugar que se chama Sítio e para chegar lá tomamos o “funicular” ou ascensor e, por 0,90 euros a viagem, sobe-se sem doer as perninhas. E eu fui assim. A visão lá do alto é uma coisa de doido, belíssima vista do litoral. Lá em cima tem a igreja de Nossa Senhora da Nazaré, construída no século XVII e decorada com os típicos azulejos portugueses. Nesses azulejos está retratada a lenda de dom Fuas Roupinho, cavaleiro que foi poupado pela Virgem Maria, de despencar dos rochedos ao perseguir um cervo na neblina. (Thanks teacher Google) Algumas lojas com lembranças e claro que eu comprei uns galinhos vermelhos cheios de charme.
Fiquei admirando a beleza do lugar e na volta vim pelas escadas. Na descida torço o pé direito que gente operada dos ligamentos e desastrada que nem eu, acontece... Passo por um francês e duas francesas. Sorriram, retribuí e já lasquei logo um “silvuplé”, que eles entenderam, devido à excelente pronúncia, porque estava querendo que tirassem uma foto minha. Foram simpáticos, fizeram a gentileza, agradeci e continuei descendo. Merci, merci... au revoir... O problema é que, de repente, me deu um ataque de fome, em seguida uma crise de hipoglicemia (desde criança tenho isso, já tou acostumada) e comecei a tremer. Acontece muito comigo e, felizmente, eu tinha uma balinha na bolsa. Chupei e dei um jeito de ir rapidinho para um restaurante que eu já me conheço, preciso me alimentar urgente. No final desse relato vou começar a publicar a “rata” do dia e ficarão sabendo como foi, mas tudo por causa da hipoglicemia, claro. rs.. Mas é sério, minhas mãos estavam tremulas, eu não conseguia segurar nada.
Estava difícil escolher um lugar porque tudo te convida, tudo é bonito e um português me oferece para me levar a um que adoreiii o nome: Casa da Palhaça ou Casa Palhaça. (estou na dúvida quanto ao nome por causa da rata que dei lá e não me lembro agora). Foi uma ótima escolha, o lugar é um charme e a comida não poderia ser mais gostosa. Os peixes são frescos, os legumes quebram na boca, aliás, notei que em Leiria também o que se come é de excelente qualidade. Fizeram um peixe grelhado, peixe inteirinho só pra mim, não exageradamente grande, mas bem maior do que precisaria, no meu caso. Tenho deixado muita comida no prato porque as porções são generosas. Eu diria que dá pra uma pessoa e meia. Pra duas é pouco, pra uma é muito. O prato ficou bem bonito, muito colorido e o melhor desse lugar: tudo feito na hora pra você. Claro que é preciso ter paciência, mas eu tenho toda do mundo quando é pra comer alguma coisa que acabou de ser feita. Enquanto isso a dona ficou por ali conversando comigo, papo bom, fui tomando um “sumo” (suco) de pêssego e graças a Deus não veio batata frita. Na verdade, com meu jeitinho brasileiro, sugeri à dona do restaurante que acrescentasse ao prato batatas e cenouras cozidas, o que ela fez de boa sem aumentar em nada o preço. Ponto pros portugueses.
Muitas fotos depois sigo pra rodoviária, feliz da vida. O tempo mudou, começou a fazer um frio danado e eu torcendo pra que não piorasse porque eu queria parar em uma cidade que se chama Batalha pra conhecer o mosteiro.
Ainda não sei os horários do ônibus e precisei ficar um tempão no ponto e enquanto isso, bilíngue que sou (não se esqueçam do meu francês lá atrás – obrigada professorinha Terréze do Instituto de Educação de Minas Gerais), já ensaiei perguntar a um casal bem idoso sobre o tal horário e a mulher tentou me dizer que não estava entendendo nada. Vendo que eram americanos e utilizando o meu impecável inglês eu disse: “bus” e apontei o meu relógio no braço esquerdo. Não deu outra, entenderam tudo e saquei naquele momento que sou do c*r*llh e posso ir a qualquer lugar do mundo... Kkkkkk.
RATA DO DIA: derrubei e quebrei o copo com o tal sumo de pêssego. Sujei a mesa e o chão. Um erro brasileiro, gente.
Bjão!
(adicionar as seguintes fotos de Nazaré: 2909, 2912, 2918,2925,2930,2932,2936,2949

Conhecendo a cidade

05.06
Domingo de preguiça pra mim e de eleições para primeiro ministro em Portugal. Aqui o voto não é obrigatório o que eu acho muito bom, mas penso que no Brasil, devido à pobreza de espirito e de grana do meu povo, não iria funcionar. Até imagino como seria a negociata. É assunto pra culturas mais evoluídas. O presidente Cavaco diz que só quem votar terá legitimidade para criticar o próximo governo. Concordo com ele. Não sei se aqui tem urna eletrônica que nem no Brasil. Sou fã demais dessas urnas, acho um barato. Vejo na tv uma grande fila e os portugueses, muitos deles idosos, numa boa esperando. Em silêncio.
Dormi bem e desci pra tomar café já sabendo que voltaria pra cama, afinal hoje é domingo, pé de cachimbo, o cachimbo é de ouro... lá lá la la... Final de semana, mais gente curtindo o “pequeno almoço”, palavrinha nova pros meus leitores. Café da manhã no Brasil = pequeno almoço aqui. Apareceu o filho de Deus e começou a usar a tal máquina de fazer suco de laranja. Prestei atenção e só não fiz na hora porque já estava terminando o meu café, mas amanhã é tiro e queda, vou fazer.
Uma mesa com italianos foi o que deu pra perceber já que são mais barulhentos. Nas outras, pessoas falando pouco e, quando falam, o fazem bem baixinho. Croissant que é pra lembrar do Thiago e Túlio que adoooram, iogurte com pedacinhos de pêssego, leite com café, queijo, frios, bolo. Fui comendo devagar e meu coração foi até Goiânia dar um abraço e um beijinho gostoso nos filhos. Mãe é mãe, e eles estão sempre no pensamento. (Bob e Lalá vocês também são filhos). A camareira, uma senhorinha simpaticíssima, vem até minha mesa me cumprimentar. Não me contento com o bom dia e o sorriso, quero mais, e então pego em suas mãos com as minhas e dou um aperto caloroso. Conversamos um pouco e na saída ela já encosta em mim e me dá um tapão nos ombros que é pra se despedir. Viramos quase que amigas de infância... risos. E constato mais uma vez que gente gosta de toque, de carinho, por mais que sejam rígidas. O quebra gelo havia funcionado.
Começo a compreender um pouco melhor o jeito português. Estou reconsiderando. Portanto, o que me pareceu grosseria do motorista do ônibus que me trouxe de Lisboa até aqui já consigo ver de outra maneira. Ele foi até legal demais porque me falaram que o normal seria ele ir embora e me deixar. Outro fato, ontem, ao passar em frente a uma loja feminina, gostei de uma echarpe e entrei pra comprar, já que o preço era bom: 4.90 euros. Quando fui pagar no caixa entreguei uma nota de 50.00 e a moça: ‘ mas dá-mo 50 para retirare 4.90?”e falou mais alguma coisa que não compreendi”. Disse a ela que era o que eu tinha e já me preparei para ficar sem o objeto que me atraiu porque ela balançava a cabeça em sinal negativo, mas me deu o troco. Não é grosseria, é apenas o jeito português de ser. No Brasil a funcionária do caixa perguntaria com toda a educação do mundo, com aquele jeito de quem está até pedindo desculpas se teríamos trocado. E a gente, ou seja, os mais estressados responderiam: NÃO!
Uma coisa que tenho que providenciar urgente é uma bolsinha pra carregar moedas porque aqui são muito utilizadas. E eu tenho tantas dessas bolsinhas em casa... Saí feliz da loja com minha echarpezinha na sacola, oba!
Chego ao hotel, ligo a tv e, já perto das 13h, vejo José Sócrates, um dos cinco (?) candidatos, exercendo o direito de voto. Bem simpático esse português. Tá bom, bonito também. Mas o Coelho é muito mais. E não tem urna eletrônica por aqui. Nesse ponto o Brasil está à frente, talvez por necessidade já que existem as fraudes por todo lado. Político em época de eleição é tudo igual e ele faz questão de pegar na mão do povo.
Acabei levantando da cama e indo andar em um parque lindo que tem pertinho do hotel. O rio Lis corre dentro dele, é limpo que dá pra ver as pedras no fundo. Gente bonita caminhando, crianças, cachorros, lembro-me do Bob e da Lalá. Tiro algumas fotos com o celular porque deixei a máquina pra trás. E vou respirando o ar frio. Está entardecendo, a fome chega... hoje não almocei, só comi porcaria boa. risos... Ao final da caminhada entro no restaurante, olho o cardápio e escolho scaloppine (lombo de porco coberto com cogumelos feitos ao molho de vinho do Porto). Vem arroz, salada e de novo as tais batatas que me farão virar o Jô Soares. A partir de amanhã pretendo dispensar as danadas senão haja parque pra eu perder uns quilinhos. O jantar é delicioso e o suco de manga também. Aliás, tenho percebido que algumas frutas daqui são melhores que as daí. A pera portuguesa já comi aí, mas a que como todos os dias no hotel é uma maravilha. Não parece ter adubo, é mais doce, macia, parece beijo de tão boa que é.
Duas coisas legais: não estranhei a cama (nem poderia porque é bem melhor que a minha), já o travesseiro... Que saudade dos meus! Aqui no hotel não tem activia, mas ando funcionando perfeitamente.
Palavrinhas novas
Sorvete – gelado
Dolorido – dorido
Torta doce ou salgada - tarte
Bjinhos minha gente querida... E vamos ganhar a rua!

Andando por Leiria

04.06
Antes de falar do dia de hoje... Ontem começou a escurecer às 21h15m. Achei bem interessante.
Acordo com sinos. Fazia anos que não ouvia. Acordei na hora que tinha planejado e às 8h30m já estava tomando café. Iogurte com cereais, leite com chocolate, pão, queijo branco, peito de peru. Tinha suco de laranja também que ninguém faz pra você. As laranjas ficam lá te olhando ao lado de uma máquina esquisita; deixo pra lá. Estava esperando que aparecesse um filho de Deus pra fazer e eu aprender olhando, mas ninguém quis tomar o tal suco. Se fosse a Leila aposto que ia fuçar na máquina, mas com aquele jeito escandaloso dela e sua risada mais barulhenta do mundo iria ser expulsa do país... risos. Nem consigo imaginar a Leila com aquele jeitão dela num lugar como esse. Estou sendo bem contida aqui porque o povo confunde sorriso fácil com “está escrito na minha testa que sou uma piriguete” em se tratando de brasileiras. Não estou aqui “a falar” mal dos amigos portugueses, gosto do jeito autêntico deles, mas tenho a impressão que não sabem se divertir e por detrás de tanta seriedade reina um bocado de hipocrisia. E fico alegre, feliz e contente por não oferecer tanto perigo mais. Nesse aspecto é ótimo ter 54 anos.
Não existe risada aqui, gente. Nem um risinho sonoro. Muito diferente. Outra coisa que não existe aqui, Tinim, é música na rua, nem carros fazendo propaganda, você iria adorar.
Depois do café catei a mochila com guia e máquina e disposição e fui caminhando até o centro da cidade. De lá virei à esquerda e comecei a subida para o castelo. Eddie Veder subiu comigo e triha sonora mais apropriada eu desconheço. Senti-me como ele a viajar sozinha, subindo sem pressa, sentindo o perfume das flores pelo caminho e aquela sensação de liberdade que não dá pra explicar aqui, mas quem já sentiu sabe como é. Não encontrei vivalma no trajeto. A subida não é nenhum Macchu Pichu, viajantes lá de casa, mas os quase 55 anos me falaram “estamos aqui”. Com o coração na boca pensei: “vou enfartar aqui nessa porra de castelo, isso se eu conseguir lá chegar”, mas devagar e sempre, vamo que vamo, deparei-me com um imenso portão. O castelo ocupa um local privilegiado e foi capturado dos mouros por Afonso Henriques em 1135. Dentro dos muros tem um forte e um palácio real construído por Dom Dinis para sua amada rainha Isabel. Temos uma bela vista da cidade quando chegamos à torre.
E enquanto subia pensava... quanto romantismo... tempos bons... E morri de inveja dessa rainha. Afinal estamos evoluindo em quê minha gente? A tal rainha ganhou um castelo desse e outro em Óbidos do mesmo apaixonado. Agora nós, mulheres, precisamos trabalhar pra cacete, juntamos o nosso com o do parceiro (quando temos, o que não é meu caso), corremos na CEF, financiamos e passamos mais de vinte anos tentando pagar um cubículo. Ah, não... Tou vendo evolução nenhuma.
Lá de cima fiquei olhando a cidade. Leiria tem dois rios que se juntam. São eles o Lis e o Lena. Eu aqui, romântica que sou, logo quero que o Lena seja a Lena pra formarem um casal, mas nesses tempos modernos não deixam de ser, pois não? A paisagem é dominada por uma grande floresta de pinheiros e por belas praias. A região chama-se Estremadura e Ribatejo e, próximo a Leiria, tem Fátima, Batalha, Alcobaça e muitas, muitas cidadezinhas que irei conhecer. Lisboa está também na região, mais ao sul.
Fotografei bastante, tomei água do mesmo tanto e encarei a volta. O sol estava muito quente e vim devagar. Não sabia se almoçava antes de chegar ao hotel ou se tomava “um duche”.
O cansaço me deu a resposta e entrei em uma casa de massas bem bonitinha. Pessoal simpático, fui bem servida. O molho à bolonhesa e o espaguete estavam perfeitos e mandei pra dentro a metade e mais dois sucos de pêssego porque a sede era maior que a fome. Delicia demais. Com a barriguinha aquecida foi fácil chegar ao hotel. Banho, tv, cama (não, não dormi que é pra acabar de organizar e meu corpo ficar sabendo de uma vez por todas que tou nas orópa).
Palavrinhas novas:
Equipe – equipa
Gol - golo
Esparadrapo – adesivo
Até logo, tchau – adeus, adeusinho
Misto quente – tosta mista

Bjinhos! Estou indo ao supermercado comprar água.
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E fui ao shopping Continente. Muito grande e bem bonito. Fui a pé e encarei mais de 3 km sendo que a metade era morro acima. Cansei muito e o resultado foram duas bolhas no dedão do pé que me pediram pra voltar de táxi. Amanhã é domingo, pé de cachimbo, vou ficar mais quieta. Jantei por lá arroz com feijão preto, maminha grelhada, batata frita e tomei um suco de limão com maçã que é de tomar rezando de tão bom. Depois um café que não cobram, mesmo você gastando qualquer valor. Nas Minas Gerais do meu tempo era assim. Eu que não consigo tomar expresso no Brasil tenho achado delicioso o daqui.
Em seguida fui à Fnac e pirei pro tamanhão da loja. Pouquíssimos funcionários, nunca como no Brasil, e estão sempre uniformizados. A crise aqui está feia e toda a gente anda preocupada. O interessante é que se preocupam mais com o futuro dos filhos e netos. Nós no Brasil preocupamos mais com a gente, né?
Agora vou pedir licença. Quero assistir ao futebol Portugal e Noruega.
90 minutos depois... Portugal vence: 1 “golo’ de Postiga.

Leiria

03 de junho
Chego a Leiria. Dá pra imaginar uma capital de 45 mil habitantes? A primeira impressão é a melhor possível. Limpa e elegante. De repente o castelo. E eu digo pra mim: “olha isso”. Lindo, imponente, bem no alto, mas estou de frente das suas escadarias. Tenho a exata noção de como será difícil chegar ao alto. Sei que vou ver muitos castelos ainda, mas este me encantou desde que o vi nas intermináveis buscas que fiz na internet e nem acredito que estou diante dele. Será meu melhor passeio em Leiria.
Desço do ônibus, aqui se chama expresso; se você falar ônibus ninguém sabe o que é. Estão aprendendo palavrinhas novas comigo também. risos. A folgada brasileira, acostumada que está com vários táxis disponíveis, assim que sai da rodoviária não vê nenhum. A pessoa estranha, olha prum lado e pro outro e escolhe a direita. Na próxima esquina tem um ponto com muitos táxis. Não estão na frente da rodoviária certamente para não enfeiar. Europa é outra coisa mesmo. Entra no primeiro, cumprimenta o motorista e diz o endereço do hotel Íbis. Finalmente um português acessível. Ele, um senhor de uns 65 anos, de olhos muito azuis, me pergunta em que cidade moro no Brasil. Quando digo Goiânia ele custa a acreditar. Tem os olhos marejados, o pranto chega com força e fico penalizada porque não sei o que está acontecendo. Digo a ele que seria melhor ele parar o carro porque chora tanto que tenho medo que não possa ver nada à sua frente. Ele, mais calmo, começa a me dizer que tem esposa e filha em Goiás e faz 2 anos que não as vê. Casou com a goiana que veio passear em Leiria há 21 anos, teve com ela essa filha que cursa Letras em Goiânia. Ele fica tão feliz em encontrar alguém que, de alguma forma, o aproxima das suas amadas, que pega o “telemóvel”, liga pra esposa e me põe a falar com ela. “““ E ela, muito simpática, me diz:” esse homem é um amor, traz ele pra mim quando voltar...” Quando chego ao hotel ele me deixa um cartão e se coloca à disposição para toda e qualquer corrida. Penso, além de ganhar um dinheiro ainda dá pra fazer terapia comigo de graça... bom também... E num jeito paternal me diz que é pra ter cuidado com os portugueses, que eles são muito falsos, adoram as brasileiras, mas a grande maioria as considera prostitutas. Aqui mesmo em Leiria diz que havia cinco casas de prostituição, todas brasileiras e que os portugueses ficaram loucos com as mulheres, mas as esposas, ao verem muitos maridos deixando os casamentos, alguns deles descuidando da vida de casados e passando horas no lugar, uniram-se e, aos poucos, foram fechando os estabelecimentos. Aqui quase 100% das brasileiras vêm para tomar os maridos endinheirados das portuguesas. São consideradas destruidoras de lares, prostitutas, mulheres fáceis. Uma das esposas matou uma brasileira, dona de uma dessas casas, que lhe tomou o marido, e essa foi a última casa que existiu por aqui de brasileiras. Imagino que tenha outras boites dos portugueses, mas não perguntei isso a ele, não me interessava. No final da conversa ele me diz que também tem portugueses que são boas pessoas. Agradeço e entro no hotel entendendo o motivo do tal portuga ser tão acessível, aprendeu com o jeito brasileiro da mulher.
Sou muito bem recebida pela moça da recepção. Eles são bem profissionais e me lembram os donos de hotéis e restaurantes em Gramado. Estou tão cansada que encosto as malas e tomo “um duche’”. Sim, aqui não se fala chuveiro. Banheiro também não é banheiro, mas “casa de banho”. Ajeito algumas roupas e fico por ali vendo tv e ponho as pernas pra cima. Os pés estão inchados, enormes, e me dou 1 horinha de descanso.
Almoço às 16h, ainda meio viciada com o horário do Brasil que é meio dia. Meu estômago pensa que ainda está em casa. Apesar da bactéria estou louca pra comer uma salada (nem vou contar pra Dóris e Marina) e peço uma deliciosa: vários tipos de alface, tomate cereja, azeitonas pretas e queijo de cabra. Vem um pão de sementes muito bom. Coloco bastante azeite e fico ali olhando pela janela agradecida pela boa vida que tenho.
Luto contra o sono, tento não dormir e mesmo com o sol quente vou caminhar pela cidade. Ando durante 1 hora, volto, tomo outro banho e não tem jeito, o sono me vence, afinal havia dormido no máximo 3 horas no avião. O que seria uma soneca breve virou um sonecao de 4 horas. Tou frita, mifu.
Desço pro restaurante do hotel, levo o computador e peço uma sopa de legumes. Nunca comi nada pior.. risos... poucos legumes, cozidos em excesso, derretendo num caldo sem graça, mas tomei tudinho porque a fome era grande e queria alguma coisa mais leve porque tentaria dormir no horário de sempre, mas em vão, acabei dormindo às 2 da manhã. Prometi acordar no máximo às 8h no dia seguinte. Quero fazer o tal passeio ao castelo e irei a pé. Não é muito perto, mas quero andar, tirar fotos e esse será o meu programa de amanhã.
Volto depois. Beijinhos!

Iniciando a viagem

02.06.2011
O dia começa com o Thiago me levando ao aeroporto. Estava tão feliz quanto eu. Foi ótimo! Depois encontrei com Túlio, também vibrando pela primeira viagem da mãe. Almoço fantástico no Mangai, restaurante nordestino, carne seca com nata, vou ter que voltar lá. Obrigada, filhos queridos, vocês realmente são maravilhosos!
Avião lotado. Crianças, muitos brasileiros e pela olhada muitos estrangeiros também. Agarrei no meu Saramago e fui viajando com ele por Portugal. Chega o jantar duas horas depois e o sono nada. Mp3 na oreia, Gikovate vai comigo agora. Uma criança berra perto do banheiro no colo da jovem mãe. Lembro do choro nervoso do Thiago quando estava com sono e não conseguia dormir. Sinto vontade de me juntar a ela, tou com o mesmíssimo problema. E as horas passam, minha vizinha do lado ronca que quase derruba o avião e eu doida pra cutucá ela, mas fico quieta. Finalmente depois de 6 horas de voo sou derrubada pelo sono, mas aí só temos mais 3 horas e meia até o destino e acordo com o barulho do café da manhã que começa a ser servido. Bora então, tudo é festa.
Chego a Lisboa às 6h20m, estou quatro horas à frente do Brasil. Isso quer dizer saldo devedor de muitas horas de sono. Estou pregada, os olhos ardendo e posso jurar que colocaram um caminhão de areia neles.
Depois de uma fila de 40 minutos chego ao balcão da imigração, dou um sorriso brasileiro e o moço não me faz pergunta alguma ao contrário do que vinha fazendo com todos, carimba meu passaporte e lá vou eu.
Não querendo gastar 15.00 euros de táxi espero o autocarro 96 que me levará à rodoviária. Sim, cheguei a Lisboa, mas quero me aventurar pelo interior enquanto tenho gás e a capital ficará pro final do mês. O autocarro chega, uma moça está ao volante. Mesmo sabendo que os portugueses são bastante reservados assusto-me com a seriedade e ausência de sorriso. Tudo bem, já sabia que era assim, não me importo. Cada povo com o seu jeito.
Chego ao guichê da rodoviária 20 minutos depois e no guichê um senhorzinho, que a meu ver, já deveria estar aposentado (coisa difícil por aqui) me vende passagem pra Leiria e diz: “vá rápido porque o ônibus está quase saindo”. Mineira que sou vou é correndo e alguns passos depois dou de cara com o ônibus saindooooo. Faço um sinal pro motorista e ele abana a cabeça contrariado. Pensei, tou ferrada! Vou levar bronca. Não deu outra, ele desceu do ônibus, já me deu uma patada fudida, fingi que não era comigo, ele continuou a dar o sermão, que eu deveria ter esperado o próximo, fiz aquela cara de quem acabou de ganhar uma xicara de presente (lembram-se da Ana Carolina?), mentalmente mandei à PQP e vambora pro interiorrr.
Ônibus vazio, autoestrada espetacular, energia eólica é o que se vê e Eólo, o deus dos ventos, deve estar feliz porque os “cata-ventos” se movimentam todo o tempo. Temperatura de 18 graus, linda paisagem. Fone no ouvido de novo, convido o Gikovate pra ir comigo. Estou radiante. Agora é curtir tudo que é novo pra mim.
PALAVRINHAS DIFERENTES ATÉ AGORA:
- LIGEIROS – LEVES
- NÃO PERCEBO – NÃO ENTENDO
- AGUA FRESCA – AGUA GELADA
Mas descubro também que eles nos pedem para repetir algumas vezes. Bom que não me entendam também porque falam tão rápido e não quero ser a única a pedir que repitam toda vez. . .risos.
Depois eu volto... Com fotos.