sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aveiro

AVEIRO
Acordo muito cedo, antes das 6h, sem despertador. Tento voltar a dormir, não consigo, então entro na banheira, depois café, metrô, comboio pra “Avairo” como dizem os portugueses. Gosto do jeito de falar deles. Eles sim, falam o português. Nós falamos o “brasileiro” que não tem muito a ver. O nosso jeito de falar é mais doce e é bonito também, mas meus irmãos portugueses capricham no vernáculo.
O “tu” aqui é usado somente se te consideram de confiança, caso contrário usarão o “você” que é mais respeitoso e distante. Assim ensinou-me um portuga gente boa. Comigo somente usaram “tu”, bom sinal.
Estou indo para a região de “Beiras” e assim que desço do trem em Aveiro já fico apaixonada pela Estação de Comboios, prédio cheio de azulejos ma ra vi lho sos. Sou encantada por todos que vejo. Enquanto escrevo arrependo-me de não ter fotografado todos, mas eram tantos!! É que quando vejo as fotos fico um tempão admirando os detalhes e gosto cada vez mais dos desenhos.
Entro num café pra tomar meu costumeiro pingado e depois vou andando pela avenida em direção à laguna, também chamada de Ria de Aveiro. Meu interesse maior é conhecer os moliceiros, barcos de fundo chato e belamente pintados e decorados com desenhos tradicionais. Não são tão comuns mais e alguns ficam debaixo da ponte principal. Vamos aprender um pouquinho sobre eles.
''Moliço'' é o nome dado às plantas aquáticas que são colhidas para serem usadas na agricultura. Esta palavra provém do latim ''mollis'', que expressa a qualidade de mole. A designação de moliço é geralmente usada para as plantas vasculares que crescem submersas em água salgada, que em inglês são designadas por seagrass, mas pode também ser aplicada às algas que crescem no meio dessas plantas. Um caso diferente é o de outras algas, incluindo algas do género ''Sargassus'', designadas por sargaço, que eram colhidas na zona de rebentação das praias do norte de Portugal, também para utilização na agricultura.
O moliço era particularmente importante na laguna costeira da Ria de Aveiro, situada na costa do norte de Portugal. Ali o moliço era colhido em grandes quantidades, por ancinhos arrastados a partir de um barco moliceiro. As plantas mais abundantes no moliço pertenciam ao género ''Zostera'', mas também incluía outras plantas aquáticas tolerantes de água salgada.
Nos séculos XIX e XX, a colheita de moliço teve um papel importante ao remover nutrientes de plantas da Ria de Aveiro, ajudando a estabilizar esta laguna.
O barco moliceiro pertence à família de barcos pequenos de origem mediterrânica designados por bateiras. O aspecto mais fascinante deste barco são as pinturas ornamentais, que seguem uma tradição popular bem estabelecida. (trechos retirados Wikipédia)
Fiquei conhecendo duas paulistas que moram em Campinas que já viajaram muito e já entramos no moliceiro conversando e sentamos juntas. Um grupo de brasileiros já ficando intimo do guia e atrapalhando as informações que ele tentava nos passar. Ô praga! Entre eles um português, casado com uma brasileira, que já pegou logo o jeito do brasileiro e começou a contaminar o guia contando piadas chatas. Fiquei pau da vida, não conseguia tirar fotos porque as mulheres não tinham educação e pensavam que o barco era só delas. Ficavam em pé tirando fotos uns dos outros, falando alto, gendocéu! E olha que não eram marinheiros de primeira viagem não, eram toscos mesmo. Uma delas ficou de costas tão perto de uma das paulistas, com a bunda praticamente no rosto dela, que ela não aguentou: posicionou o pé que estava quase sendo pisado, e contou depois que estava torcendo para a rainha do moliceiro tropeçar e rachar a cara no chão. Até eu iria gostar, viu? Cada vez mais eu acho que no geral mulheres não gostam muito umas das outras não. O relacionamento é difícil. O que aconteceu é que o tal guia não conseguiu dar o recado, acabou entrando na onda, começou a contar piada besta e o passeio foi uma bosta. As fotos que tirei ficaram um erro, cheias de corpos e cabeças, arre égua.
Mas falemos de Aveiro que é conhecida como a Veneza Portuguesa. Foi um importante porto pesqueiro durante a Idade Média até sofrer um desastre em 1575. Uma tempestade alterou o curso do rio Vouga e o porto entupiu-se de lama. Só em 1808, com a construção de um quebra mar para abrir uma nova passagem da laguna para o oceano é que o setor pesqueiro renasceu. É uma cidade de praias também, esse Portugal é um país abençoado mesmo, as cidades têm rios lindos, mar, montanhas, tudo.
Depois vamos conhecer os belos edifícios da cidade, alguns com motivos náuticos, bem interessantes. Visitamos o Mercado do Peixe que estava bem vazio, com poucos produtos e depois fomos beber uma Sagres danada de boa e ficamos por ali conversando, trocando e-mails, descendo o cacete nos brasileiros. Kkkkk.
Despeço das novas amigas e almoço numa churrascaria em Porto, na Praça da Batalha. Peço meia porção, mas ainda assim sobra comida. O dono vai até minha mesa, é muito afável, pergunta se gostei da comida, sorri, um amor ele.
Estou cansada e pela segunda vez nesses 12 dias de viagem preciso dormir depois do almoço. Desperto duas horas depois e penso que já é o dia seguinte e minha mente: Oncotô, concossô, proncovô? Rapidinho me oriento e desço para tomar um cafezinho. Levo o notebook e fico por ali. Muitos estão com seus computadores, jovens estudam (?) naquele lugar agitado.
Observação: LICOR DE GINJINHA NÃO É DE CEREJA, MAS DA FRUTA GINJINHA. DESCULPAS.
Banho, jantar, tv e cama. Amanhã quero ir ao SEF, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras me informar sobre meu passaporte que está sem o carimbo de entrada.
Fiquei na paz.
Beijos!

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