FÁTIMA
Finalmente chega o dia de conhecer Fátima.
Rotininha boa de sempre, banho, pequeno – almoço (que eu já tou quase virando uma portuguesinha de verdade). Depois é escovar os dentes, colocar agasalho e ganhar a rua. Vou caminhando até a rodoviária que é pra fazer exercícios logo cedo e vou sentindo o frio gelado. São apenas 2 km que faço com tranquilidade e agradeço os quatro meses de academia. Está bem tranquilo.
Viajo num daqueles autocarros pequenos, tipo van do Brasil, e o motorista pega a autoestrada. Paisagem bonita, muitos pinheiros, hortênsias, flores diferentes que vou namorando pelo caminho.
Vou me lembrando da história dos três pastorinhos Francisco, Jacinta e Lúcia que viram um clarão de luz e uma mulher mais clara que o sol, em pé, nos galhos de um carvalho. Ela pediu que voltassem no mesmo dia do mês pelos seis meses seguintes, e prometeu que, ao fim desse tempo, contaria quem era e o que queria. Embora apenas as crianças pudessem ver a Virgem, e Lúcia fosse a única capaz de ouvi-la, multidões iam surgindo a cada mês. Em outubro havia mais de 70 mil presentes.
A Virgem, segundo consta, revelou três segredos a Lúcia. O primeiro era uma profecia de paz, o segundo previu a chegada do comunismo à Rússia e o terceiro profetizou a tentativa de assassinato do papa João Paulo Segundo em 1981. Nos anos seguintes o culto foi crescendo e a basílica foi concluída em 1953. Francisco e Jacinta morreram pouco tempo depois da última aparição. Lúcia morreu em 2005. Hoje o santuário atrai milhares de peregrinos. Por volta dos dias 12 e 13 de cada mês as multidões se aglomeram para pagar suas promessas e rezar para a Virgem. (Pesquisas Internet)
A história não pára aí, é muita linda! Interessante é que eu era menina quando ouvi falar disso e, apesar de não ser católica, nunca esqueci. E fui primeiro ao museu de cera e são bacanas demais os bonecos, bem vestidinhos à moda portuguesa, contando-nos os fatos. Nem dá vontade de sair de lá e se eu pudesse ficava ali o dia inteirinho captando cada detalhe. As roupinhas, a expressão das crianças, da Virgem, dos pais é de uma beleza tão singela, nos leva à infância. Fotografei bastante e nunca irei esquecer-me desse passeio.
Depois comprei lembrancinhas pros meus queridos todos que são muitos... E fui ao santuário. Fiquei boba com o tamanhão. A esplanada pode abrigar até um milhão de pessoas e é duas vezes maior que a Praça de São Pedro, em Roma. A basílica neoclássica, com seu altar aberto, em frente a uma vasta torre, tem capacidade para 300 mil pessoas. Francisca, Jacinta e Lúcia estão enterrados nessa basílica.
Fui também à Capela das Aparições que foi erguida onde supostamente a Virgem apareceu e ficam por ali muitos peregrinos. Vi um jovem ir ajoelhado até o santuário e pensei: eu com esse joêi operado meu não consigo nem ajoelhar-me, quanto mais ir “ajoelhando” como esse moço.
Comprei velas. Outra coisa que achei legal, tem velas de todos os tamanhos, em caixas organizadas, com o valor respectivo. Ao lado de cada caixa tem a entrada para se colocar as moedas ou notas. Ninguém fica te vigiando, apenas há um aviso pedindo que deposite o valor correspondente à sua compra. Aprendam brasileiros! Acendi e orei pra quem pediu e pra quem não pediu também. Fiquei ali fazendo minhas preces e pedi pela paz em nosso planeta. Agradeci também, claro. Conversando com um morador de Leiria e, lembrando como são as festas religiosas no Brasil, perguntei a ele se em Fátima não virava festa barulhenta, com pessoas querendo ganhar dinheiro, etc.. E ele me disse que de jeito nenhum, que o lugar é considerado sagrado e as pessoas são muito respeitosas. Fiquei feliz e espero que os portugueses nunca aprendam coisas tristes com a gente brasileira.
Atendendo à sugestão da minha barriguinha fui ao Restaurante “Zé Grande”. Tenho olhado no guia, mas ando preferindo perguntar aos portugueses onde eles preferem comer. Geralmente os preços do guia são altos e tenho dado sorte porque é cada comidão bom, gente! Então, atendeu-me outra jovem senhora, alegre e atenciosa. Falei a ela que já sabia o que queria e podem morrer de inveja: bacalhau com natas, salada, nham nham. Escolhi também uma entradinha – pães caseiros, queijo curado de ovelha. Ave Maria, Jesuisinho, que queijo maravilhoso. Gracias, ovelhinha. Tirei-a do pensamento e mandei pra dentro, uma delicia. Quem for a Fátima anotem o nome desse restaurante, vale a pena. Preço ótimo, com suco, entrada, salada e o bacalhau paguei 12.50 euros. (por favor não converta Tinim). O bacalhau vem num prato de cerâmica, mais quente que as portas do inferno, mas nós gostamos assim né filhos? E olhando a calma da rua fui comendo e dizendo amém... Pra encerrar um garoto (que é o nosso pingado aí.. leite com café).
E depois fui pra rodoviária. Lá chegando uma francesa vem me perguntar se sei onde é o Hotel Imperial. Digo “Je ne parle pas Français” e ela ficou sem entender porque eu já tava era falando.. risos... Também não ia adiantar falar francês porque eu não ia saber mesmo onde é o tal hotel. E lasco um “je suis brésilien”, não conheço nada aqui. Ela agradece e entro pra comprar o bilhete de volta. As rodoviárias que tenho conhecido têm banheiros limpos e organizados, sempre com papel higiênico, toalhas, e você não vê ninguém limpando. Fiquei sabendo que em Leiria a limpeza das ruas, a retirada do lixo, tudo é feito durante a noite e a gente não escuta barulho algum. Bem que eu notava que tudo é muito limpo por aqui e, logicamente, esse serviço tem que ser feito em algum horário. Durante a noite é uma boa pra todo mundo, não acham?
E sigo para o Íbis, hotelzinho com ótimos serviços, estou gostando pra caramba.
Quero ir ainda hoje ver o mar de Leiria.
Bora... Bj
O MAR DE LEIRIA E A MATA DE PINHAL
Imaginem uma grande floresta de pinheiros, mas ponham grande nisso. Andei de jipe dentro dela por muito tempo e é lindo demais. Depois fui a uma bela e intocada praia. O mar super limpo, mas bem perigoso, nunca me aventuraria a entrar nele. As placas estão sempre a indicar (como dizem por aqui) sinal amarelo ou vermelho. Raramente vemos o tal sinal verde. E saí do carro e desci nas dunas até o mar. Fazia muito, muito frio. Ventava bastante e não consegui ficar muito tempo. Resolvo subir, era bem íngreme, a areia pesada, cheguei com o coração na boca lá em cima. Achei até que viria a óbito... rs... Mas valeu.
Conheci também o Parque Natural das Serras de Aire. Fica entre Fátima e Batalha e é conhecido pela sua altitude e montanhas de calcário. Um frio lá em cima que só vendo, mas o ar é tão puro que dá muito prazer deixá-lo invadir os pulmões. Tem trilhas para caminhadas bem sinalizadas e é uma mistura de montanhas e terras de cultivo. Muitas cabras, lindas (ando comendo queijinho delas quase todos os dias, alternando com o das ovelhinhas). Tem muitas cavernas também, mas não entrei em nenhuma delas, já estava ficando tarde. Belo passeio, mas não levei a máquina. Antânia!
Bj
(fotos pastorinhos, 3159, 3162, 3165, 3166, 3168, 3169, 3239, 3277,3300, 3309, 3314, 3315, 3319,3322, 3358
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