05.06
Domingo de preguiça pra mim e de eleições para primeiro ministro em Portugal. Aqui o voto não é obrigatório o que eu acho muito bom, mas penso que no Brasil, devido à pobreza de espirito e de grana do meu povo, não iria funcionar. Até imagino como seria a negociata. É assunto pra culturas mais evoluídas. O presidente Cavaco diz que só quem votar terá legitimidade para criticar o próximo governo. Concordo com ele. Não sei se aqui tem urna eletrônica que nem no Brasil. Sou fã demais dessas urnas, acho um barato. Vejo na tv uma grande fila e os portugueses, muitos deles idosos, numa boa esperando. Em silêncio.
Dormi bem e desci pra tomar café já sabendo que voltaria pra cama, afinal hoje é domingo, pé de cachimbo, o cachimbo é de ouro... lá lá la la... Final de semana, mais gente curtindo o “pequeno almoço”, palavrinha nova pros meus leitores. Café da manhã no Brasil = pequeno almoço aqui. Apareceu o filho de Deus e começou a usar a tal máquina de fazer suco de laranja. Prestei atenção e só não fiz na hora porque já estava terminando o meu café, mas amanhã é tiro e queda, vou fazer.
Uma mesa com italianos foi o que deu pra perceber já que são mais barulhentos. Nas outras, pessoas falando pouco e, quando falam, o fazem bem baixinho. Croissant que é pra lembrar do Thiago e Túlio que adoooram, iogurte com pedacinhos de pêssego, leite com café, queijo, frios, bolo. Fui comendo devagar e meu coração foi até Goiânia dar um abraço e um beijinho gostoso nos filhos. Mãe é mãe, e eles estão sempre no pensamento. (Bob e Lalá vocês também são filhos). A camareira, uma senhorinha simpaticíssima, vem até minha mesa me cumprimentar. Não me contento com o bom dia e o sorriso, quero mais, e então pego em suas mãos com as minhas e dou um aperto caloroso. Conversamos um pouco e na saída ela já encosta em mim e me dá um tapão nos ombros que é pra se despedir. Viramos quase que amigas de infância... risos. E constato mais uma vez que gente gosta de toque, de carinho, por mais que sejam rígidas. O quebra gelo havia funcionado.
Começo a compreender um pouco melhor o jeito português. Estou reconsiderando. Portanto, o que me pareceu grosseria do motorista do ônibus que me trouxe de Lisboa até aqui já consigo ver de outra maneira. Ele foi até legal demais porque me falaram que o normal seria ele ir embora e me deixar. Outro fato, ontem, ao passar em frente a uma loja feminina, gostei de uma echarpe e entrei pra comprar, já que o preço era bom: 4.90 euros. Quando fui pagar no caixa entreguei uma nota de 50.00 e a moça: ‘ mas dá-mo 50 para retirare 4.90?”e falou mais alguma coisa que não compreendi”. Disse a ela que era o que eu tinha e já me preparei para ficar sem o objeto que me atraiu porque ela balançava a cabeça em sinal negativo, mas me deu o troco. Não é grosseria, é apenas o jeito português de ser. No Brasil a funcionária do caixa perguntaria com toda a educação do mundo, com aquele jeito de quem está até pedindo desculpas se teríamos trocado. E a gente, ou seja, os mais estressados responderiam: NÃO!
Uma coisa que tenho que providenciar urgente é uma bolsinha pra carregar moedas porque aqui são muito utilizadas. E eu tenho tantas dessas bolsinhas em casa... Saí feliz da loja com minha echarpezinha na sacola, oba!
Chego ao hotel, ligo a tv e, já perto das 13h, vejo José Sócrates, um dos cinco (?) candidatos, exercendo o direito de voto. Bem simpático esse português. Tá bom, bonito também. Mas o Coelho é muito mais. E não tem urna eletrônica por aqui. Nesse ponto o Brasil está à frente, talvez por necessidade já que existem as fraudes por todo lado. Político em época de eleição é tudo igual e ele faz questão de pegar na mão do povo.
Acabei levantando da cama e indo andar em um parque lindo que tem pertinho do hotel. O rio Lis corre dentro dele, é limpo que dá pra ver as pedras no fundo. Gente bonita caminhando, crianças, cachorros, lembro-me do Bob e da Lalá. Tiro algumas fotos com o celular porque deixei a máquina pra trás. E vou respirando o ar frio. Está entardecendo, a fome chega... hoje não almocei, só comi porcaria boa. risos... Ao final da caminhada entro no restaurante, olho o cardápio e escolho scaloppine (lombo de porco coberto com cogumelos feitos ao molho de vinho do Porto). Vem arroz, salada e de novo as tais batatas que me farão virar o Jô Soares. A partir de amanhã pretendo dispensar as danadas senão haja parque pra eu perder uns quilinhos. O jantar é delicioso e o suco de manga também. Aliás, tenho percebido que algumas frutas daqui são melhores que as daí. A pera portuguesa já comi aí, mas a que como todos os dias no hotel é uma maravilha. Não parece ter adubo, é mais doce, macia, parece beijo de tão boa que é.
Duas coisas legais: não estranhei a cama (nem poderia porque é bem melhor que a minha), já o travesseiro... Que saudade dos meus! Aqui no hotel não tem activia, mas ando funcionando perfeitamente.
Palavrinhas novas
Sorvete – gelado
Dolorido – dorido
Torta doce ou salgada - tarte
Bjinhos minha gente querida... E vamos ganhar a rua!
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