6.06 –
NAZARÉ
Andando...
Caí da cama às 6h da manhã, banho, suco de laranja que aprendi a fazer com o filho de Deus, café, máquina, mochila, grana e ponto de ônibus, ou seja, autocarro. Meia hora depois tou dentro. E vou olhando a cidade rumo à rodoviária. Quero conhecer Nazaré. Como não sabia o horário do buzu tive que esperar 1 hora, mas “no stress”, estou passeando oxente. Humor melhor não pode haver desde que me aposentei ou me reformei, como dizem os irmãos portugueses.
Preferi pegar o ônibus que vai por uma estrada, que não é a autoestrada, para conhecer os lugares, as casas das pessoas mais idosas, mais afastadas da cidade. Gente do céu, é lindooo. Estou cada dia mais apaixonada pelo país. E vou gostando também das portuguesas que vou conhecendo nas “paragens” dos expressos, umas novas, outras mais velhas que eu. Tem gente de todo jeito e isso é assim em todo lugar, então noto que nas aldeiazinhas ou vilas (vila no Brasil é uma coisa feia, aqui é uma lindeza) as pessoas são mais receptivas e conversam comigo. E a viagem segue.
Estamos chegando e já vejo o mar e as casas branquinhas, muitas casas. Assim que chego ao calçadão fico agradecida! Não é que descobriram que eu não gosto de pisar na areia e mandaram fazer uma passarela de madeira só pra eu passar Leiloka? Mas ela não vai até o mar e quando acaba meus pés vão direto pra areia e a sensação é ótima, não é fina, portanto não me amola. Fico ali sentindo o cheiro do mar, como é bom, e volto aos tempos da praia de São Francisco e de outros mares que conheci. O barulho do mar é música pros meus ouvidos e olho, olho, olho, mato as saudades e vou caminhando devagar. Não penso em nada, só em sentir o calor da areia.
Nazaré é uma pitoresca vila pesqueira e é comum ver mulheres transitando do porto para a cidade com cestos de peixe na cabeça. Lindas praias, excelentes restaurantes de peixe e frutos do mar. Gente bonita, muitos turistas nos bares e cafés. Como tem cafés por aqui e em Leiria também. Lá no alto, a 110m, tem um lugar que se chama Sítio e para chegar lá tomamos o “funicular” ou ascensor e, por 0,90 euros a viagem, sobe-se sem doer as perninhas. E eu fui assim. A visão lá do alto é uma coisa de doido, belíssima vista do litoral. Lá em cima tem a igreja de Nossa Senhora da Nazaré, construída no século XVII e decorada com os típicos azulejos portugueses. Nesses azulejos está retratada a lenda de dom Fuas Roupinho, cavaleiro que foi poupado pela Virgem Maria, de despencar dos rochedos ao perseguir um cervo na neblina. (Thanks teacher Google) Algumas lojas com lembranças e claro que eu comprei uns galinhos vermelhos cheios de charme.
Fiquei admirando a beleza do lugar e na volta vim pelas escadas. Na descida torço o pé direito que gente operada dos ligamentos e desastrada que nem eu, acontece... Passo por um francês e duas francesas. Sorriram, retribuí e já lasquei logo um “silvuplé”, que eles entenderam, devido à excelente pronúncia, porque estava querendo que tirassem uma foto minha. Foram simpáticos, fizeram a gentileza, agradeci e continuei descendo. Merci, merci... au revoir... O problema é que, de repente, me deu um ataque de fome, em seguida uma crise de hipoglicemia (desde criança tenho isso, já tou acostumada) e comecei a tremer. Acontece muito comigo e, felizmente, eu tinha uma balinha na bolsa. Chupei e dei um jeito de ir rapidinho para um restaurante que eu já me conheço, preciso me alimentar urgente. No final desse relato vou começar a publicar a “rata” do dia e ficarão sabendo como foi, mas tudo por causa da hipoglicemia, claro. rs.. Mas é sério, minhas mãos estavam tremulas, eu não conseguia segurar nada.
Estava difícil escolher um lugar porque tudo te convida, tudo é bonito e um português me oferece para me levar a um que adoreiii o nome: Casa da Palhaça ou Casa Palhaça. (estou na dúvida quanto ao nome por causa da rata que dei lá e não me lembro agora). Foi uma ótima escolha, o lugar é um charme e a comida não poderia ser mais gostosa. Os peixes são frescos, os legumes quebram na boca, aliás, notei que em Leiria também o que se come é de excelente qualidade. Fizeram um peixe grelhado, peixe inteirinho só pra mim, não exageradamente grande, mas bem maior do que precisaria, no meu caso. Tenho deixado muita comida no prato porque as porções são generosas. Eu diria que dá pra uma pessoa e meia. Pra duas é pouco, pra uma é muito. O prato ficou bem bonito, muito colorido e o melhor desse lugar: tudo feito na hora pra você. Claro que é preciso ter paciência, mas eu tenho toda do mundo quando é pra comer alguma coisa que acabou de ser feita. Enquanto isso a dona ficou por ali conversando comigo, papo bom, fui tomando um “sumo” (suco) de pêssego e graças a Deus não veio batata frita. Na verdade, com meu jeitinho brasileiro, sugeri à dona do restaurante que acrescentasse ao prato batatas e cenouras cozidas, o que ela fez de boa sem aumentar em nada o preço. Ponto pros portugueses.
Muitas fotos depois sigo pra rodoviária, feliz da vida. O tempo mudou, começou a fazer um frio danado e eu torcendo pra que não piorasse porque eu queria parar em uma cidade que se chama Batalha pra conhecer o mosteiro.
Ainda não sei os horários do ônibus e precisei ficar um tempão no ponto e enquanto isso, bilíngue que sou (não se esqueçam do meu francês lá atrás – obrigada professorinha Terréze do Instituto de Educação de Minas Gerais), já ensaiei perguntar a um casal bem idoso sobre o tal horário e a mulher tentou me dizer que não estava entendendo nada. Vendo que eram americanos e utilizando o meu impecável inglês eu disse: “bus” e apontei o meu relógio no braço esquerdo. Não deu outra, entenderam tudo e saquei naquele momento que sou do c*r*llh e posso ir a qualquer lugar do mundo... Kkkkkk.
RATA DO DIA: derrubei e quebrei o copo com o tal sumo de pêssego. Sujei a mesa e o chão. Um erro brasileiro, gente.
Bjão!
(adicionar as seguintes fotos de Nazaré: 2909, 2912, 2918,2925,2930,2932,2936,2949
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