04.06
Antes de falar do dia de hoje... Ontem começou a escurecer às 21h15m. Achei bem interessante.
Acordo com sinos. Fazia anos que não ouvia. Acordei na hora que tinha planejado e às 8h30m já estava tomando café. Iogurte com cereais, leite com chocolate, pão, queijo branco, peito de peru. Tinha suco de laranja também que ninguém faz pra você. As laranjas ficam lá te olhando ao lado de uma máquina esquisita; deixo pra lá. Estava esperando que aparecesse um filho de Deus pra fazer e eu aprender olhando, mas ninguém quis tomar o tal suco. Se fosse a Leila aposto que ia fuçar na máquina, mas com aquele jeito escandaloso dela e sua risada mais barulhenta do mundo iria ser expulsa do país... risos. Nem consigo imaginar a Leila com aquele jeitão dela num lugar como esse. Estou sendo bem contida aqui porque o povo confunde sorriso fácil com “está escrito na minha testa que sou uma piriguete” em se tratando de brasileiras. Não estou aqui “a falar” mal dos amigos portugueses, gosto do jeito autêntico deles, mas tenho a impressão que não sabem se divertir e por detrás de tanta seriedade reina um bocado de hipocrisia. E fico alegre, feliz e contente por não oferecer tanto perigo mais. Nesse aspecto é ótimo ter 54 anos.
Não existe risada aqui, gente. Nem um risinho sonoro. Muito diferente. Outra coisa que não existe aqui, Tinim, é música na rua, nem carros fazendo propaganda, você iria adorar.
Depois do café catei a mochila com guia e máquina e disposição e fui caminhando até o centro da cidade. De lá virei à esquerda e comecei a subida para o castelo. Eddie Veder subiu comigo e triha sonora mais apropriada eu desconheço. Senti-me como ele a viajar sozinha, subindo sem pressa, sentindo o perfume das flores pelo caminho e aquela sensação de liberdade que não dá pra explicar aqui, mas quem já sentiu sabe como é. Não encontrei vivalma no trajeto. A subida não é nenhum Macchu Pichu, viajantes lá de casa, mas os quase 55 anos me falaram “estamos aqui”. Com o coração na boca pensei: “vou enfartar aqui nessa porra de castelo, isso se eu conseguir lá chegar”, mas devagar e sempre, vamo que vamo, deparei-me com um imenso portão. O castelo ocupa um local privilegiado e foi capturado dos mouros por Afonso Henriques em 1135. Dentro dos muros tem um forte e um palácio real construído por Dom Dinis para sua amada rainha Isabel. Temos uma bela vista da cidade quando chegamos à torre.
E enquanto subia pensava... quanto romantismo... tempos bons... E morri de inveja dessa rainha. Afinal estamos evoluindo em quê minha gente? A tal rainha ganhou um castelo desse e outro em Óbidos do mesmo apaixonado. Agora nós, mulheres, precisamos trabalhar pra cacete, juntamos o nosso com o do parceiro (quando temos, o que não é meu caso), corremos na CEF, financiamos e passamos mais de vinte anos tentando pagar um cubículo. Ah, não... Tou vendo evolução nenhuma.
Lá de cima fiquei olhando a cidade. Leiria tem dois rios que se juntam. São eles o Lis e o Lena. Eu aqui, romântica que sou, logo quero que o Lena seja a Lena pra formarem um casal, mas nesses tempos modernos não deixam de ser, pois não? A paisagem é dominada por uma grande floresta de pinheiros e por belas praias. A região chama-se Estremadura e Ribatejo e, próximo a Leiria, tem Fátima, Batalha, Alcobaça e muitas, muitas cidadezinhas que irei conhecer. Lisboa está também na região, mais ao sul.
Fotografei bastante, tomei água do mesmo tanto e encarei a volta. O sol estava muito quente e vim devagar. Não sabia se almoçava antes de chegar ao hotel ou se tomava “um duche”.
O cansaço me deu a resposta e entrei em uma casa de massas bem bonitinha. Pessoal simpático, fui bem servida. O molho à bolonhesa e o espaguete estavam perfeitos e mandei pra dentro a metade e mais dois sucos de pêssego porque a sede era maior que a fome. Delicia demais. Com a barriguinha aquecida foi fácil chegar ao hotel. Banho, tv, cama (não, não dormi que é pra acabar de organizar e meu corpo ficar sabendo de uma vez por todas que tou nas orópa).
Palavrinhas novas:
Equipe – equipa
Gol - golo
Esparadrapo – adesivo
Até logo, tchau – adeus, adeusinho
Misto quente – tosta mista
Bjinhos! Estou indo ao supermercado comprar água.
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E fui ao shopping Continente. Muito grande e bem bonito. Fui a pé e encarei mais de 3 km sendo que a metade era morro acima. Cansei muito e o resultado foram duas bolhas no dedão do pé que me pediram pra voltar de táxi. Amanhã é domingo, pé de cachimbo, vou ficar mais quieta. Jantei por lá arroz com feijão preto, maminha grelhada, batata frita e tomei um suco de limão com maçã que é de tomar rezando de tão bom. Depois um café que não cobram, mesmo você gastando qualquer valor. Nas Minas Gerais do meu tempo era assim. Eu que não consigo tomar expresso no Brasil tenho achado delicioso o daqui.
Em seguida fui à Fnac e pirei pro tamanhão da loja. Pouquíssimos funcionários, nunca como no Brasil, e estão sempre uniformizados. A crise aqui está feia e toda a gente anda preocupada. O interessante é que se preocupam mais com o futuro dos filhos e netos. Nós no Brasil preocupamos mais com a gente, né?
Agora vou pedir licença. Quero assistir ao futebol Portugal e Noruega.
90 minutos depois... Portugal vence: 1 “golo’ de Postiga.
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