sábado, 24 de março de 2012

Arrumando as malas...

E novamente preparo-me para uma nova viagem, dessa vez irei conhecer Roma. Desço em Lisboa, abraço amigos queridos Rô, Augusto, Ingrid e Rafa, jogamos algumas roupas na mochila e vambora. Adoro estar com eles e a oportunidade criada por nós de viajarmos juntos me deixa muito feliz. A Rô é daquelas amigas de coração aberto, sorriso grandão no rosto, brasileira que nem eu. As meninas são muito queridas e damos muitas risadas. O professor é um português sensível, correto e aprendo muito com ele. Será maravilhoso conhecer Roma e com certeza aprenderemos todas com ele. Me aguardem... estou indo! Beijos!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Leiria

03 de junho Chego a Leiria. Dá pra imaginar uma capital de 45 mil habitantes? A primeira impressão é a melhor possível. Limpa e elegante. De repente o castelo. E eu digo pra mim: “olha isso”. Lindo, imponente, bem no alto, mas estou de frente das suas escadarias. Tenho a exata noção de como será difícil chegar ao alto. Sei que vou ver muitos castelos ainda, mas este me encantou desde que o vi nas intermináveis buscas que fiz na internet e nem acredito que estou diante dele. Será meu melhor passeio em Leiria. Desço do ônibus, aqui se chama expresso; se você falar ônibus ninguém sabe o que é. Estão aprendendo palavrinhas novas comigo também. risos. A folgada brasileira, acostumada que está com vários táxis disponíveis, assim que sai da rodoviária não vê nenhum. A pessoa estranha, olha prum lado e pro outro e escolhe a direita. Na próxima esquina tem um ponto com muitos táxis. Não estão na frente da rodoviária certamente para não enfeiar. Europa é outra coisa mesmo. Entra no primeiro, cumprimenta o motorista e diz o endereço do hotel Íbis. Finalmente um português acessível. Ele, um senhor de uns 65 anos, de olhos muito azuis me pergunta em que cidade moro no Brasil. Quando digo Goiânia ele custa a acreditar. Tem os olhos marejados, o pranto chega com força e fico penalizada porque não sei o que está acontecendo. Digo a ele que seria melhor ele parar o carro porque chora tanto que tenho medo que não possa ver nada à sua frente. Ele, mais calmo, começa a me dizer que tem esposa e filha em Goiás e faz 2 anos que não as vê. Casou com a goiana que veio passear em Leiria há 21 anos, teve com ela essa filha que cursa Letras em Goiânia. Ele fica tão feliz em encontrar alguém que, de alguma forma, o aproxima das suas amadas, que pega o “telemóvel”, liga pra esposa e me põe a falar com ela. “““ E ela, muito simpática, me diz:” esse homem é um amor, traz ele pra mim quando voltar...” Quando chego ao hotel ele me deixa um cartão e se coloca à disposição para toda e qualquer corrida. Penso, além de ganhar um dinheiro ainda dá pra fazer terapia comigo de graça... bom também... E num jeito paternal me diz que é pra ter cuidado com os portugueses, que eles são muito falsos, adoram as brasileiras, mas a grande maioria as considera prostitutas. Aqui mesmo em Leiria diz que havia cinco casas de prostituição, todas brasileiras e que os portugueses ficaram loucos com as mulheres, mas as esposas, ao verem muitos maridos deixando os casamentos, alguns deles descuidando da vida de casados e passando horas no lugar, uniram-se e, aos poucos, foram fechando os estabelecimentos. Aqui quase 100% das brasileiras vêm para tomar os maridos endinheirados das portuguesas. São consideradas destruidoras de lares, prostitutas, mulheres fáceis. Uma das esposas matou uma brasileira, dona de uma dessas casas, que lhe tomou o marido e essa foi a última casa que existiu por aqui de brasileiras. Imagino que tenha outras boites dos portugueses, mas não perguntei isso a ele, não me interessava. No final da conversa ele me diz que também tem portugueses que são boas pessoas. Agradeço e entro no hotel entendendo o motivo do tal portuga ser tão acessível, aprendeu com o jeito brasileiro da mulher. Sou muito bem recebida pela moça da recepção. Eles são bem profissionais e me lembram os donos de hotéis e restaurantes em Gramado. Estou tão cansada que encosto as malas e tomo “um duche’”. Sim, aqui não se fala chuveiro. Banheiro também não é banheiro, mas “casa de banho”. Ajeito algumas roupas e fico por ali vendo tv e ponho as pernas pra cima. Os pés estão inchados, enormes, e me dou 1 horinha de descanso. Almoço às 16h, ainda meio viciada com o horário do Brasil que é meio dia. Meu estômago pensa que ainda está em casa. Apesar da bactéria estou louca pra comer uma salada (nem vou contar pra Dóris e Marina) e peço uma deliciosa: vários tipos de alface, tomate cereja, azeitonas pretas e queijo de cabra. Vem um pão de sementes muito bom. Coloco bastante azeite e fico ali olhando pela janela agradecida pela boa vida que tenho. Luto contra o sono, tento não dormir e mesmo com o sol quente vou caminhar pela cidade. Ando durante 1 hora, volto, tomo outro banho e não tem jeito, o sono me vence, afinal havia dormido no máximo 3 horas no avião. O que seria uma soneca breve virou um sonecao de 4 horas. Tou frita, mifu. Desço pro restaurante do hotel, levo o computador e peço uma sopa de legumes. Não tão gostosa quanto à do Brasil.. risos... poucos legumes, cozidos em excesso, mas tomei tudinho porque a fome era grande e queria alguma coisa mais leve porque tentaria dormir no horário de sempre, mas em vão, acabei dormindo às 2 da manhã. Prometi acordar no máximo às 8h no dia seguinte. Quero fazer o tal passeio ao castelo e irei a pé. Não é muito perto, mas quero andar, tirar fotos e esse será o meu programa de amanhã. Volto depois. Beijinhos!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aveiro

AVEIRO
Acordo muito cedo, antes das 6h, sem despertador. Tento voltar a dormir, não consigo, então entro na banheira, depois café, metrô, comboio pra “Avairo” como dizem os portugueses. Gosto do jeito de falar deles. Eles sim, falam o português. Nós falamos o “brasileiro” que não tem muito a ver. O nosso jeito de falar é mais doce e é bonito também, mas meus irmãos portugueses capricham no vernáculo.
O “tu” aqui é usado somente se te consideram de confiança, caso contrário usarão o “você” que é mais respeitoso e distante. Assim ensinou-me um portuga gente boa. Comigo somente usaram “tu”, bom sinal.
Estou indo para a região de “Beiras” e assim que desço do trem em Aveiro já fico apaixonada pela Estação de Comboios, prédio cheio de azulejos ma ra vi lho sos. Sou encantada por todos que vejo. Enquanto escrevo arrependo-me de não ter fotografado todos, mas eram tantos!! É que quando vejo as fotos fico um tempão admirando os detalhes e gosto cada vez mais dos desenhos.
Entro num café pra tomar meu costumeiro pingado e depois vou andando pela avenida em direção à laguna, também chamada de Ria de Aveiro. Meu interesse maior é conhecer os moliceiros, barcos de fundo chato e belamente pintados e decorados com desenhos tradicionais. Não são tão comuns mais e alguns ficam debaixo da ponte principal. Vamos aprender um pouquinho sobre eles.
''Moliço'' é o nome dado às plantas aquáticas que são colhidas para serem usadas na agricultura. Esta palavra provém do latim ''mollis'', que expressa a qualidade de mole. A designação de moliço é geralmente usada para as plantas vasculares que crescem submersas em água salgada, que em inglês são designadas por seagrass, mas pode também ser aplicada às algas que crescem no meio dessas plantas. Um caso diferente é o de outras algas, incluindo algas do género ''Sargassus'', designadas por sargaço, que eram colhidas na zona de rebentação das praias do norte de Portugal, também para utilização na agricultura.
O moliço era particularmente importante na laguna costeira da Ria de Aveiro, situada na costa do norte de Portugal. Ali o moliço era colhido em grandes quantidades, por ancinhos arrastados a partir de um barco moliceiro. As plantas mais abundantes no moliço pertenciam ao género ''Zostera'', mas também incluía outras plantas aquáticas tolerantes de água salgada.
Nos séculos XIX e XX, a colheita de moliço teve um papel importante ao remover nutrientes de plantas da Ria de Aveiro, ajudando a estabilizar esta laguna.
O barco moliceiro pertence à família de barcos pequenos de origem mediterrânica designados por bateiras. O aspecto mais fascinante deste barco são as pinturas ornamentais, que seguem uma tradição popular bem estabelecida. (trechos retirados Wikipédia)
Fiquei conhecendo duas paulistas que moram em Campinas que já viajaram muito e já entramos no moliceiro conversando e sentamos juntas. Um grupo de brasileiros já ficando intimo do guia e atrapalhando as informações que ele tentava nos passar. Ô praga! Entre eles um português, casado com uma brasileira, que já pegou logo o jeito do brasileiro e começou a contaminar o guia contando piadas chatas. Fiquei pau da vida, não conseguia tirar fotos porque as mulheres não tinham educação e pensavam que o barco era só delas. Ficavam em pé tirando fotos uns dos outros, falando alto, gendocéu! E olha que não eram marinheiros de primeira viagem não, eram toscos mesmo. Uma delas ficou de costas tão perto de uma das paulistas, com a bunda praticamente no rosto dela, que ela não aguentou: posicionou o pé que estava quase sendo pisado, e contou depois que estava torcendo para a rainha do moliceiro tropeçar e rachar a cara no chão. Até eu iria gostar, viu? Cada vez mais eu acho que no geral mulheres não gostam muito umas das outras não. O relacionamento é difícil. O que aconteceu é que o tal guia não conseguiu dar o recado, acabou entrando na onda, começou a contar piada besta e o passeio foi uma bosta. As fotos que tirei ficaram um erro, cheias de corpos e cabeças, arre égua.
Mas falemos de Aveiro que é conhecida como a Veneza Portuguesa. Foi um importante porto pesqueiro durante a Idade Média até sofrer um desastre em 1575. Uma tempestade alterou o curso do rio Vouga e o porto entupiu-se de lama. Só em 1808, com a construção de um quebra mar para abrir uma nova passagem da laguna para o oceano é que o setor pesqueiro renasceu. É uma cidade de praias também, esse Portugal é um país abençoado mesmo, as cidades têm rios lindos, mar, montanhas, tudo.
Depois vamos conhecer os belos edifícios da cidade, alguns com motivos náuticos, bem interessantes. Visitamos o Mercado do Peixe que estava bem vazio, com poucos produtos e depois fomos beber uma Sagres danada de boa e ficamos por ali conversando, trocando e-mails, descendo o cacete nos brasileiros. Kkkkk.
Despeço das novas amigas e almoço numa churrascaria em Porto, na Praça da Batalha. Peço meia porção, mas ainda assim sobra comida. O dono vai até minha mesa, é muito afável, pergunta se gostei da comida, sorri, um amor ele.
Estou cansada e pela segunda vez nesses 12 dias de viagem preciso dormir depois do almoço. Desperto duas horas depois e penso que já é o dia seguinte e minha mente: Oncotô, concossô, proncovô? Rapidinho me oriento e desço para tomar um cafezinho. Levo o notebook e fico por ali. Muitos estão com seus computadores, jovens estudam (?) naquele lugar agitado.
Observação: LICOR DE GINJINHA NÃO É DE CEREJA, MAS DA FRUTA GINJINHA. DESCULPAS.
Banho, jantar, tv e cama. Amanhã quero ir ao SEF, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras me informar sobre meu passaporte que está sem o carimbo de entrada.
Fiquei na paz.
Beijos!

Braga

(Estou dentro do ônibus indo pra Lisboa e aproveito pra atualizar as notícias e estas são de 13.06)

Dia de Santo Antônio, aniversário da vó Tonha, sempre me lembro de tanto que mamãe falou.
Então sigo para Braga a ver se reza mesmo. Saio da região do Porto e vou agora para o Minho e Trás-os-Montes.
Faz frio, mas visto o casaco, pego o metrô, estação linda São Bento, e comboio. Estou tentando dizer as palavras como são aqui porque cada vez que digo “trem” o povo faz “ahn?”. Bom que meus leitores vão aprendendo que, quando aqui chegarem, tudo será mais fácil pra todo mundo. Amém.
Vou prestando atenção à estrada. A terra do Minho é fértil e bastante cultivada. Dá pra ver as vinhas apoiadas em granito – elas que dão origem ao vinho verde da região, levemente frisante, aquele que eu mais gostei até agora. Bem verdade que não provei muitos, mas este é delicado e, geladinho, vai muito bem. Eu é que não vou depois que o bebo.. risos. Vou sendo levada e amparada pelo meu anjinho da guarda que é muito bacana comigo.
Começo pela Praça da República que está toda enfeitada para Santo Antônio, festa que aqui em Portugal é muito celebrada, aliás, todas as juninas. A praça é encantadora, sinos a todo o momento enchem de belos sons o ambiente. Muitas pessoas sentadas nas esplanadas - que são os bares com mesas e cadeiras do lado de fora. Fico andando, admirando e tirando fotos dos prédios, cafés, igrejas, flores, bichos, tudo. E a cabeça pensando... Como tem pessoas idosas por todo lugar que ando, sinal que viver nesse país é sinônimo de vida longa, quero dizer, qualidade de vida, porque os de mais idade estão ativos, interagindo com as pessoas e, os mais tímidos, com o ambiente. Isso é maravilhoso. Não estão tristes dentro de suas casas. No Brasil é espantoso como as pessoas mais velhas são mais decadentes, os filhos quando não as deixam de lado estão sempre tomando conta daquele jeito arrogante, invertendo as posições, querendo ser pais dos seus pais. Acho um absurdo os filhos fazerem isso e os pais consentirem nisso. Pessoas que lutaram pra criar esses mesmos filhos, ainda lúcidas, mas que vão se encolhendo diante da tirania dos mais novos. Bem, mas um dia serão velhos também e ensinando seus filhos esse modelo horroroso terão o mesmo tratamento que ora dão aos que lhes presentearam com a vida. Pra mim isso não é cuidar, não é gostar, é tolher, cercear a liberdade, matar a pessoa. (puta merda, fui longe agora, sorry, mas é minha mente que está pensando e sempre questionou isso).
De repente um burburinho e muitas crianças dos 4 aos 14 anos mais ou menos chegam à praça. Bem arrumadas, com lindos vestidinhos. Grupos de vestido rosa, outros de verde, amarelo, a coisa mais bonita desse mundo, gente. Não estão vestidas que nem as nossas ao estilo caipira, nem poderiam estar, claro, estou em outro país. As professoras estão junto e meninos e meninas de mãos dadas começam a dançar ao som de uma música sofrível que sai de um carro. Exigente que sou, por causa desse meu ouvido que capta todo e qualquer ruído e também os desafinos do mundo, lamento a falta de sintonia entre a beleza das crianças e o barulho que sai do carro. Sim, aquilo não é música, faça-me o favor. Fosse eu à frente desse evento não permitiria de jeito nenhum um descaso desses, mas de todo jeito foi muito bonito. Até fiz um vídeo que infelizmente não dá pra colocar aqui.
Entro em algumas igrejas e constato: sim, Braga reza e muito. Só hoje já assisti a três pedaços de missa, igrejas cheias, sinto que estou perturbando a paz dos que oram, mas procuro ser o mais silenciosa e discreta possível. Não dá pra não tirar fotos, é tudo tão bonito... O ouro que temos em Ouro Preto nem passa perto do tantão de ouro que tem aqui. Gente, não estou querendo dizer nada com isso.. Prestenção... Inclusive muitas igrejas daqui foram construídas muito, muito antes do descobrimento do Brasil.
Braga, a Bracara Augusta dos romanos tem longa história, boa parte dela ligada à da Igreja Católica em Portugal desde a reconquista cristã do século 11. A cidade era provavelmente um assentamento celta. Depois de longo período de ocupação romana caiu nas mãos dos suevos e visigodos antes de ser conquistada pelos mouros. Recuperada pelos cristãos em 1070, seus arcebispos fizeram forte pressão para serem reconhecidos como Primazes das Espanhas, a mais importante posição religiosa ibérica, contra os rivais de Toledo e Tarragona. (pesquisas internet).
Braga ainda é a sede dos arcebispos portugueses, e as suas procissões religiosas e celebrações estão entre as mais fervorosas do país.
Entro na catedral, a Sé. Só ao vivo, não dá pra descrever, são muitos os detalhes. Data de 1070. O interior não é grande... Os vitrais são antiquíssimos, há ricos entalhes barrocos e novamente o estilo manuelino que tanto tem me encantado pela delicadeza. Vejo uma estátua da Virgem, do século XIV e o altar esculpido com cenas da Ascensão. E muitos azulejos e trombetas e anjos e ouro. Desço e chego a um pátio rodeado por três capelas e entro na mais importante: A Capela dos Reis. Nela estão os túmulos de dom Henrique da Borgonha (fundador da catedral) e sua mulher Tareja – pais de Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
Vou andando rumo a não sei onde porque me dá imenso prazer me locomover por lugares que nunca vi. Primeiro café que vejo, entro, bebo água, peço um garoto clarinho. E a jovem de quase 40 me pergunta: “está viajando sozinha”? Respondo afirmativamente e ela: “quando será que poderei fazer isso!” Eu lhe digo que esse dia chegará, com certeza, mas ela não acredita muito. Peço informações e vou andando já com um rumo: quero ir à igreja Bom Jesus do Monte, uma das construções mais famosas de Portugal. Não dá pra ir a pé, pego o autocarro que me deixa quase lá em cima, ainda tenho que pegar o funicular e pego. A igreja é Imponente, mágica. Tem uma dupla escadaria e a cada patamar cenas da vida e sacrifício do Cristo. Pode-se subir pelas escadas (há que ter pernas e joelhos fortes) ou por um caminho sagrado ladeado por capelas com painéis mostrando cenas da Paixão de Cristo. São redondas, muito bonitas e velas acesas lá dentro, muitas velas. Cada um dos patamares da escada tem uma fonte que é para relembrar as cinco feridas do Cristo, os seis sentidos e as três Virtudes. Alguns peregrinos sobem de joelhos (meu Deus!), mas eu vim apenas para conhecer a igreja, apreciar a vista, os bosques e jardins. Como sempre o ar é muito puro e há alguns turistas admirando e fotografando que nem eu. A vista lá do alto é bem bacana e fico por ali um bom tempo. Admiro os profetas ( lembram os de Congonhas). Quando resolvo descer o faço pelas escadas e paro em cada patamar para admirar as fontes e capelas. E vou descendo. Em volta muito verde, pássaros cantando, penso que já morri e tou é no céu... risos... Lembro-me do Saramago no seu livro Viagem a Portugal que diz: ”Viajar deveria ser outro concerto, estar mais e andar menos”. E não é que ele me plagiou? Porque antes de vir pra cá, e de lê-lo, eu não tinha grandes planos de sair conhecendo montes de lugares, fazendo maratona e até brincamos eu e os filhos que iria “cochilar em euros”. E estou mesmo, não todos os dias, mas se estiver cansada escuto meu corpo e durmo mesmo.
Então me sentei porque são muitas as escadas e descer também me cansa. De vez em quando um casal de turistas passa por mim. Demoro pra chegar lá embaixo e não queria ir embora dali, mas vou. Deixo o local com a alma leve, o lugar mexeu comigo. É grandioso!
Agora é hora de comprar meu costumeiro imãzinho de geladeira e entro num comércio. O dono é bem jovem, pouco mais de 30 anos e engatamos no papo de sempre: a crise em Portugal. É outro portuga que pensa que foi o Lula quem deu jeito no país, mas eu explico que não: foi o Fernando Henrique o maior responsável, apesar de ter levado muitos funcionários do Banco do Brasil como eu a mudar totalmente o estilo de vida. Ensinou-nos a duras penas a viver com menos, a eliminar os supérfluos (que são tão bons), a trabalhar muitas vezes de 8h da manhã até às 23h sem ganhar hora extra, a cortar escola particular dos filhos, viagens de férias, restaurantes, tv a cabo, etc. Foram oito anos muito difíceis e falo isso pra ele. Percebo os portugueses apavorados com a crise e ao conversar com alguns, que venho travando conhecimento, quando menciono isso, me dizem que os brasileiros são mais otimistas e que os portugueses não estão preparados para ficar sem tantas facilidades. Falo do meu encantamento por Portugal e ele me diz: “Chegastes agora, se ficares três meses por aqui mudas de ideia”. Espero que não.
Estou adorando Braga.
Vou almoçar e escolho o Café Astória. Grã-fino demais, decoração em preto e dourado. Na mesa ao lado uma senhorinha só e como estou também por que não conversar um tiquinho? Mineira que sou puxo conversa. Ela me lembra as tias de Oliveira, aquelas mais sérias, mais caladas. O papo custa a engrenar, mas estou com vontade de trocar um dedinho de prosa e insisto. E ela começa a me falar que nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro, mas veio morar em Portugal com 4 anos. Seus pais são portugueses. Está aposentada, foi professora primária e vai me dando as dicas do que devo conhecer na cidade.
Comidinha chega, peço licença e primeiro como com os olhos o prato do dia: Bacalhau com castanhas, muito, muito azeite. Antes teve uma entrada que belisquei, estômago anda pesado aqui, pretendo mudar radicalmente a partir da semana que vem, claro, que essas decisões difíceis precisam ser digeridas devagarinho que é pra não criar traumas.. Risos.
Depois é andar pra deixar as calorias pelo caminho, olhar as “montras” (vitrines, lembram?).
Tinha planejado ir a Guimarães ainda hoje, mas encantei-me tanto com a cidade que resolvi aproveitar e andar bastante, então irei em outra oportunidade, mas não vai demorar, afinal Portugal nasceu ali.
Quando chego ao hotel converso com Paulinha e Thiago, matamos um pouco as saudades.
E cama que amanhã... amanhã... amanhã? Amanhã é outro dia e só quando acordar, se acordar no planeta Terra, é que saberei o que fazer.
Besos... Muchos...
RATA DO DIA
ENTRO NUM BAR PRA COMPRAR ÁGUA... O MOÇO ME ATENDE COM UM JEITO MEIO BRASILEIRO DE FALAR.. A ANTA AQUI, BOCA DE SACOLA, PERGUNTA: É BRASILEIRO? E ELE: NÃOOOOO. SOU PORTUGUÊS E DETESTO OS BRASILEIROS. E EU FALO: E EU ESTOU ADORANDO OS PORTUGUESES TODOS. ELE SORRI, FICA MAIS SIMPÁTICO, CONVERSAMOS UM POUQUINHO.
AI, AI, AI... PAGO E VOU EMBORA.

Vila Nova de Gaia

VILA NOVA DE GAIA
Acordo descansada, é hora de ir novamente ao Douro. Dessa vez opto por conhecer e passar o dia em Vila Nova de Gaia, então pego o ônibus turístico, o tal vermelhinho, e sigo pra lá. Que lugar lindo! É só atravessar a ponte e estamos em Gaia, que é outra cidade, núcleo principal de comércio do vinho do Porto. Aqui ficam as famosas caves do gostoso vinho.
No passado as famílias endinheiradas tinham casas aqui para passar férias. Hoje muitos moram aqui e trabalham no Porto.
Começo com um passeio no teleférico. A manhã está ensolarada apesar da temperatura, 16 graus. Do alto vejo as muitas vinícolas e imagino Thiago e Túlio por aqui experimentando o que tanto gostam. Eu não vou conseguir beber hoje, é uma pena, ainda não estou 100% por causa da sardinha, quero dizer, por ter comido demais. Assim penso eu.
A seguir uma aulinha sobre o vinho do Porto, para os apreciadores desse néctar português. Vamos aprender agora sobre essa delícia.

O '''vinho do Porto''' é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal, a cerca de 100 km a leste do Porto.
Apesar de produzida com uvas do rio Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "Vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade.
A "descoberta" do Vinho do Porto é polémica. Uma das versões, defendida pelos produtores da Inglaterra, refere que a origem data do século XVII, quando os mercadores britânicos adicionaram brandy ao vinho da região do Douro para evitar que ele azedasse. Mas o processo que caracteriza a obtenção do precioso néctar era já conhecido bem antes do início do comércio com os ingleses. Já na época dos Descobrimentos o vinho era armazenado desta forma para se conservar um máximo de tempo durante as viagens. A diferença fundamental reside na zona de produção e nas castas utilizadas, hoje protegidas. A empresa ''Croft'' foi das primeiras a exportar vinho do Porto, seguida por outras empresas inglesas e escocesas.
O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas) não se transforma completamente em álcool e mais forte do que os restantes vinhos (entre 19 e 22º de álcool).
Fundamentalmente consideram-se três tipos de vinhos do Porto: Branco, Ruby e Tawny.
PORTO BRANCO - O Vinho do Porto branco é feito exclusivamente a partir de uvas brancas e envelhece em grandes balseiros de madeira de carvalho (20 mil e mais litros). Tipicamente vinhos do Porto brancos são vinhos jovens e frutados (não menosprezando as reservas) e são o único vinho de Porto que se categoriza quanto à sua doçura. Há assim brancos secos, meios-secos e doces. Ainda assim, e devido à forma como o Porto é produzido, o vinho praticamente nunca é completamente seco, guardando sempre alguma da sua doçura inicial, sendo por isso comum encontrarem-se brancos "secos" com alguma doçura.

Porto Ruby - Os Ruby são vinhos tintos que também envelhecem em balseiros. Devido ao baixo contato com a madeira (porque a relação superfície/volume é pequena) conservam durante mais tempo as suas características iniciais, devido à baixa oxidação. São assim vinhos muito frutados de cor escura (rubi), com sabores a frutas vermelhas (frutos silvestres ou ameixas, por exemplo) e com características de vinhos jovens.

Porto Tawny - Os Tawny são também vinhos tintos, feitos, aliás, das mesmas uvas que os Ruby, mas que apenas envelhecem dois a três anos nos balseiros, passando depois para as pipas de 550 litros. Estas permitem um mais elevado contato do vinho com a madeira e daí com o ar. Assim os Tawny respiram mais, oxidando e envelhecendo rapidamente. Devido à elevada oxidação os Tawny perdem a cor inicial dos vinhos tintos, ganhando tons mais claros como o âmbar, e sabores a frutos secos como as nozes ou as amêndoas. Com a idade os Tawny ganham ainda mais complexidade aromática, enriquecendo os aromas de frutos secos e adquirindo aromas de madeira, tostado, café, chocolate, mel, etc.

Contrariamente aos vinhos tintos, no vinho do Porto branco, novo de cor normalmente amarelo palha, com o envelhecimento os vêm a adquirir cada vez mais cor, aparecendo os amarelo/dourado a amarelo/acastanhado e já nos vinhos brancos muito velhos a sua cor chega ao âmbar, confundindo-se com a dos vinhos tintos também muito velhos.

O vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard. Todos os outros vinhos que fiquem mais tempo a envelhecer na madeira pertencem a categorias especiais, quer porque as uvas que lhe deram origem são de melhor qualidade, quer por terem sido produzidos num ano excepcionalmente bom em termos atmosféricos. Assim, entre as categorias especiais, é comum encontrar os '''Reserva''', os '''LBV''', os '''Tawnies envelhecidos''' e os '''Vintage''', e, menos regularmente, os '''colheita'''.

===Reserva===
O Vinho do Porto Reserva é produzido a partir de uvas selecionadas de grande qualidade, e tanto pode ser branco como tinto. Em geral, ficam sete anos em maturação dentro da madeira, sendo depois engarrafados. Estes vinhos devem ser tratados da mesma forma que os ''standard'', isto é, não envelhecem dentro da garrafa (por isso, esta deve ser mantida sempre na vertical) e após a sua abertura podem ser consumidos num prazo não superior a seis meses. Os Reservas têm a particularidade de poderem ser bebidos quer como aperitivo quer como vinho de sobremesa. Caso escolha beber antes das refeições, aconselha-se a que se sirva gelado, mesmo tratando-se de um reserva tinto.

===Tawnies envelhecidos===
Como o próprio nome indica, estes vinhos envelhecem dentro de cascos de carvalho durante mais tempo do que os normais três anos. Existem, assim, os Tawny 10 anos, 20 anos, 30 anos e 40 anos, sendo que quanto mais velhos eles forem, mais claras se tornam as suas cores e mais complexos e licorosos ficam os seus sabores: mel, canela, chocolate, madeira... O rasto deixado por estes vinhos na boca do provador é inconfundível. Os Tawnies envelhecidos encontram-se entre os Vinhos do Porto mais caros do mercado.

===Colheita===
Não é muito habitual encontrar Vinhos do Porto com esta designação, já que por apresentarem características muito próximas às dos Tawnies envelhecidos, têm vindo a ser cada vez mais preteridos pelas empresas de Vinho do Porto.

Vinho de elevada qualidade proveniente de uma só colheita. Estagia em madeira durante períodos de tempo variáveis, nunca inferiores a 7 anos.

No rótulo, a palavra colheita é sempre seguida do respectivo ano, que foi considerado excepcionalmente bom para a produção de Vinhos do Porto Tawny. O vinho estagia cerca de 12 anos dentro de cascos de madeira, e apresenta cores claras, um acastanhado dourado, quase âmbar. O sabor de um colheita é muito semelhante ao de um Tawny 10 ou 20 anos, mas logicamente mais rico e elegante.

Durante o envelhecimento em casco, os aromas jovens, frutados e frescos, evoluem por via oxidativa, dando lugar a um bouquet em que sobressaem os aromas de frutos secos, aromas de torrefação, madeira e especiarias. No decurso do envelhecimento, vão aumentando a macieza, a harmonia e complexidade do bouquet. A cor evolui para o alourado, notando-se mesmo reflexos esverdeados nos vinhos muito velhos. Vinho de elevada qualidade obtido por lotação de vinhos de colheitas de diversos anos, de forma a obter-se uma complementaridade de características organolépticas. Estagia em madeira durante períodos de tempo variáveis, nos quais a idade mencionada no rótulo corresponde à média aproximada das idades dos diferentes vinhos participantes no lote e exprime o carácter do vinho no que respeita às características conferidas pelo envelhecimento em casco. Assim, um vinho 10 anos revela uma cor, um aroma e um sabor típicos de um vinho que permaneceu durante 10 anos em casco. Tal como os vinhos Data de Colheita, apresentam um característico bouquet de oxidação que se traduz em aromas de frutos secos, torrefação e especiarias, mais evidentes nos vinhos com mais idade. Na boca, revelam-se vinhos macios e harmoniosos, com um aroma muito persistente.
O Colheita 1994 é famoso por ter sido produzido num dos melhores anos de sempre para os vinhos do Porto.

===Vintage===
A designação Vintage é a classificação mais alta que pode ser atribuída a um vinho do Porto.
Considera-se Vintage o vinho do Porto obtido da colheita de um só ano, e é uma denominação atribuída apenas em anos considerados de excepcional qualidade.

Sofrem um envelhecimento em casco por um período máximo de dois anos e meio, sendo posteriormente envelhecidos em garrafa.

O seu potencial de envelhecimento é enorme sendo por isso recomendável a sua guarda por um período nunca inferior a 3/4 anos em garrafa. Este vinho deve-se tomar só depois das refeições e pequenas quantidades.
Com o envelhecimento em garrafa torna-se suave e elegante, desaparecendo gradualmente a adstringência inicial. Adquire, por isso, um aroma equilibrado, complexo e muito distinto. Aos Vintage com alguns anos em garrafa estão associados aromas de torrefação (chocolate, cacau, café, caixa de charutos, etc.), aromas de especiarias (canela, pimenta,...) e, por vezes, aromas frutados.


===Crusted===
É uma mistura de bons vinhos de várias ''vintages'', engarrafado depois de cerca de três anos na madeira. É uma das melhores alternativas ao verdadeiro ''vintage'' e forma um sedimento (ou crosta) na garrafa, precisando ser decantado.

==Principais Exportadores de Vinho do Porto==
Nos primórdios da história do comércio do Vinho do Porto, os ingleses eram das famílias mais influentes no negócio, uma vez que o mercado inglês era dos maiores consumidores mundiais do famoso néctar português. Com o passar dos anos outras nacionalidades tais como holandeses, alemães e escoceses prevaleceram igualmente no comércio deste produto português. As principais casas portuguesas eram a casa Ferreira, detida por D. Antónia Ferreira, Ramos Pinto e a Real Companhia Velha. (Retirado de Wikipédia)
Gaia tinha muita área disponível para erguer armazéns onde se pudesse maturar imensas quantidades do vinho. Ficava em local perfeito, junto à margem do Douro. Com isso, assumiu a liderança no comércio exportador e mantém a posição até hoje.
Resolvo entrar num lugar que se chama Pipas Bar. Passa do meio dia, cedo pra almoçar, mas estou cansada, já fui visitar o Mosteiro da Serra do Pilar, subida braba, quase chego morta lá em cima, mas valeu a pena porque a vista é magnifica. Pra descer peguei o funicular e entrei no Pipas. (até lembrei do tio Pipa.. risos).
Dentro uma jovem senhora de 40 anos, simpática, boa de papo que me atendeu muito bem. Atendendo à sugestão de um português peço pra comer a Francesinha. Calma, já explico.
'''Francesinha''' é um prato típico e originário da cidade do Porto, em Portugal.
Em Abril de 2011 foi considerada pelo Aol Travel: “Francesinha está entre os dez melhores sanduíches do mundo”.
Uma das teorias sobre a origem do prato remonta-o ao contexto da Guerra Peninsular, afirmando que as tropas napoleónicas costumavam comer umas sandes (sandes aqui é sanduíche) de pão de forma, onde colocavam toda a espécie de carnes e muito queijo. À época, entretanto, faltava um complemento que os portuenses passaram a acrescentar nas ditas sandes – o molho.
Atualmente, entretanto, parece haver alguma unanimidade em atribuir os créditos da criação do prato a Daniel David Silva, empregado do Restaurante “A Regaleira” na década de 1950. Tendo trabalhado em França, ao retornar a Portugal, Daniel Silva criou a francesinha com base na tosta francesa, o "croque-monsieur", e daí o nome. Tou indo a Paris e quero comer esse danado.
A francesinha é constituída por linguiça, salsicha fresca, fiambre, carnes frias e bife de carne de vaca ou, em alternativa, lombo de porco assado e fatiado, coberta com queijo (posteriormente derretido). É normalmente guarnecida com um molho à base de tomate, cerveja e piri-piri (pimenta). Os acompanhamentos de ovos estrelados (no topo do sanduíche) e batatas fritas são facultativos.
Existem variedades de francesinhas com cogumelos, galinha, bacalhau, atum, vegetais, entre outras. Eu adoreiiiii e a moça ainda trouxe mais molho, nham, nham. Fui tomando vinho verde, eu que não ia beber, e comendo a francesinha. Tinha um bêbado lá que não parava de me olhar e conversava sozinho ou com as muitas entidades invisíveis porque mantinha verdadeiros diálogos, só que olhando pra mim. Fui ficando desconfortável e pensei: será que porque hoje era dia de eu estar cantando no Sanatório Batuíra e Deus, ou seja lá quem for, resolveu botar um doido, além de bebum, no meu caminho que é pra eu me lembrar dos compromissos? Ah, não... Deus é pai, faria isso comigo não... Esse bêbado é que anda perdido e é melhor eu não beber muito senão nós 2, daqui a pouco, saímos de mãos dadas a cantar pela ribeira.. kkkk.
Dei uma olhada significativa pra moça, que me entendeu (porque nós mulheres nos comunicamos pelo olhar, né?) Daí ela veio ficar comigo e engatamos numa ótima conversa. Falamos dos homens, ou melhor, sobre os homens portugueses e brasileiros, tecemos comentários diversos, tudo na maior seriedade, gente. Queríamos, as duas, verificar se são muito diferentes, mas não são. É tudo muito parecido, afinal são homens. E são gente boa, claro que são. E muitas vezes fazem a mulherada sofrer, claro que fazem, mas como diz o tal BBB “faz parte”.
Ao acertar a conta ela me diz: tenho um presente para ti. E vem com um cálice de vinho do Porto, 10 anos. De li ci o so. Agradeço a ela, me despeço e vou andando, quase tropeçando, efeito do álcool. Passo pela vinícola Ramos Pinto, não entro. Entro na Sandeman, mas estava tão zuretada que não ia dar conta de nada. Só tiro fotos, vinho não dou conta mais. Terei que voltar e farei isso em outra data.
Buzu, metrô, hotel, banheira e cama.
Melhor presente do dia dos namorados não poderia haver. Talvez o Brad Pitt até me atrapalhasse porque olhando aqueles braços musculosos e bonitos a única coisa que eu pensaria em fazer seria dar uma injeção neles... kkkkk (foi mals Angelina).
Beijos meus lindos e queridos.

Porto

10.06 (relatos muito atrasados pra dar um descanso pros meus leitores e pra mim que ando cansada e sonolenta)
Feriado, dia de Portugal, dia de Camões.
Estou saindo da região de Estremadura e Ribatejo, indo para Porto e Douro.
Dentro do expresso, wi-fi a bordo, lá me vou conversando com vocês.
Acho que preciso explicar que expresso faz as viagens interurbanas e autocarros as urbanas, assim me ensinaram em Leiria.
Uma ligeira confusão na venda de passagens para uma senhora que fala alto com o motorista. Aguardamos todos, silenciosos.
Muito sono, mas prefiro olhar a paisagem e algumas vinhas já se fazem ver.
16 graus, clima bom e é verão. Estou adorando não sentir calor.
Chego tão cansada que só quero deixar as malas, almoçar e voltar pro quarto.
A noite chega e espero com ansiedade para assistir ao filme sobre a vida de Amália Rodrigues, sempre fui fã dessa cantora extraordinária. Estou jantada, banho tomado, debaixo das cobertas. Estou à grande aqui nesse Porto... afe!
Sono chega, desligo a tv, sorry Amália, o filme está ótimo, mas preciso dormir. Amanhã quero andar muito.
11.06 - O DIA SEGUINTE
Acordo, banho, café e metro. Sim, aqui não se fala metrô, mas metro.
O Íbis em que estou agora é fantástico. Grande, bonito, e é só descer pelo elevador apenas um andar que caio dentro de um shopping. Tem supermercado, água mineral barata, lojas, área de alimentação, demaaaais.
Vou ver se coloco uma foto da vista que tenho da janela do meu quarto.
Estão 10 graus, tem sol, mas sinto frio. Compro o meu bilhete direto da máquina, valido o bichinho e logo chega o tal metro que me levará ao centro histórico. No trajeto vou lembrando do dito popular “enquanto Coimbra estuda, Lisboa se diverte, o Porto trabalha e Braga reza”. Vou ter que conferir.
Desço na Estação São Bento. Linda, muito bem decorada com os famosos azulejos portugueses. Fico admirando durante algum tempo, depois ganho a rua e vou fotografando os belos prédios antigos. Em seguida pego o buzu vermelhinho que faz passeios turísticos pela cidade e vou pro segundo andar pra curtir melhor a paisagem. Ele dá muitas voltas, coloco o fone de ouvido, ouço os fados. Estou mesmo em Portugal, falo comigo mesma. E estou feliz aqui.
Quando chegamos ao mar do Porto tento reter aquele azul. Acho que é o azul mais bonito que já vi, muito parecido com o mar de Salvador. Não quero esquecer. A areia muito branca e muitos corajosos de biquíni ou maiô tomando sol, acreditam? Eu fotografei.
Desço do ônibus. E vou caminhar pela Ribeira. Gaivotas ou que ave será essa que voa sobre o rio e faz uma algazarra gostosa? É branca, grande, bonita. Come vísceras de peixes.
Em momento algum me sinto sozinha. Tenho experiência de estar comigo mesma e gosto da minha companhia. Aquele tempo em que parecia impossível não ter alguém sempre ao lado ficou lá atrás. Não estou querendo dizer com isso que não seria bom ter uma pessoa, mas teria que ser tão disponível, tão especial, tão bom caráter, tão bom tudo que, na falta dessas qualidades, melhor estar assim, livre, leve e solta.
Ando à beira do Douro, sento numa escada de grandes degraus que vai até o rio. É alto o barulho que faz ao bater na margem, dá vontade de enfiar os pés, mas o rio é fundo, a água é fria, não convém. Apeteceu-me (aqui falam assim, acho bem bonito) tomar um vinho e são tantos os bares e restaurantes que fica difícil escolher. Vejo um de fachada despretensiosa, mas movimentado. É pra lá que vou.
Peço um vinho branco e vou “bicando” devagarinho, dessa vez não fiz como a “imperial”, mas não resolveu muito, fiquei tontinha do mesmo jeito. Como a época é a melhor possível pra se comer as famosas sardinhas do Porto fiz o pedido.
Elas vêm inteirinhas, assadas, em volta batatas. A entrada compõe-se de pães, broa, bolinhos. Quero recusar a entrada, pois vivo deixando sobrar comida, mas o moço garçom não deixa, me diz que as sardinhas devem ser comidas com o pão e as broas. Não discuto e não é que ele está certo? Muito bom mesmo. Sobrou batata, pão, broa, mas as sardinhas... Essas não.
E depois do almoço fui andar na ponte São Luís, a vista é muito bonita e muitos turistas admirando o Douro.

O PASSEIO DE BARCO
Entro e sento-me no barco. Ao meu lado um suíço puxa conversa, entendi nada... Quando falei em português ele respondeu em espanhol e fomos tentando nos entender... Chega uma francesa e já engatam num papo. Fui tirando fotos e apreciando o passeio.. De vez em quando ele me perguntava alguma coisa... Bacana ele, bem viajado, conhece o Brasil, Peru, Bolívia, Argentina e sei lá mais o quê.
O Douro é lindo e só quem faz o passeio sabe o que estou dizendo, não dá pra descrever aqui e espero que as fotos deem uma pálida ideia do que digo. O barco vai devagar e a brisa no rosto é suave. Apesar de passar filtro solar fico vermelhinha, pareço o vovô Juca. Só me faltam os olhos azuis.
No final da tarde chego ao hotel. Banho, nenhuma fome, e as sardinhas não me deixam esquecê-las. Bebo água, estômago pesado, e agora? Não trouxe nenhum digestivo, não tenho costume de tomar e vou a uma farmácia de produtos para dieta. Encontro chá (aqui se chama tisana), leio e vejo que tem boldo na composição. É esse. No hotel me dão uma chávena com água quente, deposito o saquinho, tomo devagar. Duas horas depois já pude tomar uma sopa. Como queria conhecer a sopa de pedra de Portugal fui ao restaurante.

A SOPA DE PEDRA
Sopa de pedra
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Sopa da pedra em Almeirim


Sopa de pedra


Estátua dedicada ao frade da lenda da sopa da pedra, em Almeirim.


Restaurantes de sopa da pedra em Almeirim
Sopa de pedra ou sopa da pedra[1] é uma sopa típica da culinária de Portugal, em particular da cidade de Almeirim, situada no coração da região do Ribatejo, considerada a "capital da sopa da pedra".
Ao contrário do que o nome indica, a sopa de pedra é uma sopa com muitos ingredientes, em que a “pedra” é apenas o “pretexto”. Aparentemente, esta designação encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base uma lenda ou fábula.
Sopa de Pedra é igualmente o título de um livro de banda desenhada, traduzido duma edição norte-americana com o título Stone Soup.
[editar] Portugal
Um frade pobre, que andava em peregrinação, chegou a uma casa e, orgulhoso demais para simplesmente pedir comida, pediu aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa – de pedra... E tirou do seu bornal uma bela pedra lisa e bem lavada. Os donos da casa ficaram curiosos e, de imediato, deixaram entrar o frade para a cozinha e deram-lhe a panela. O frade colocou a panela ao lume só com a pedra, mas logo disse que era preciso temperar a sopa... A dona da casa deu-lhe o sal, mas ele sugeriu que era melhor se fosse um bocado de chouriço ou toucinho. E lá foi o unto para junto da pedra. Então, o frade perguntou se não tinham qualquer coisa para engrossar a sopa, como batatas ou feijão que tivessem restado da refeição anterior... Assim se engrossou a sopa “de pedra”. Juntaram-se cenouras, mais a carne que estava junta com o feijão e, evidentemente, resultou numa excelente sopa.
Comeram juntos a sopa e, no final, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal... para a sopa seguinte![2
Brasil-Há outras versões desta história. Em uma delas, comum no Brasil, o frade é substituído por um malandro ou Pedro Malasartes, e a dona da casa é uma senhora conhecida na comunidade por negar auxílio a quem quer que seja. O malandro aposta com um amigo que consegue todos os ingredientes da sopa de graça com a senhora avarenta. Esta, movida pela curiosidade sobre a sopa de pedra, fornece-lhe um a um os ingredientes. Embora a história seja levemente diferente, esta versão passa a mesma moral, que a cooperação pode levar a resultados inesperadamente bons.
Referências
1. ↑ [editar] Ligações externas
• C2 Wiki: Stonesoup
Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Sopa_de_pedra"
Categorias: Fábulas | Sopas | Almeirim (Portugal)
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Gostei muito dessa sopa, pedi meia porção e foi mais que suficiente.
As pessoas no Porto são bem mais falantes e acolhedoras que as de Leiria, parecem os nossos mineiros do interiorrr. Quando você pede uma informação faltam te levar no lugar, uma belezinha, mas das cidades que visitei a que eu moraria? Leiria.
Boa noite.. zzzzzzzzzzzzzzzz
Bj

Óbidos

09.06
Óbidos
Quase sem palavras pra descrever a beleza do lugar.
Quem me conhece mais de perto sabe que sempre gostei de Ouro Preto, São João del Rey, Tiradentes e Pirenópolis. As construções são lindas, herança dos portugueses, então podem imaginar como estou de queixo caído aqui. Imaginem eu com a boca aberta. Pois então, tou assim.
Como sempre vou caminhando até a rodoviária, os tais 2 km pra ir e 2 pra voltar, mas preciso dar um jeito de expulsar as calorias que venho ingerindo, das comidas e dos vinhos. Realmente resolvi ligar o botãozinho do “foda-se” e bebo e como o que eu quero. Depois das 18h dou uma freada básica, fico no mais leve, mas durante o dia regalo-me.
Dia frio, 13 ou 14 graus. Esse é o clima normal da região no quase verão, assim me disseram. Garoa que nem a de São Paulo. Capa de chuva da Paulinha (brigadinha, nora) e lá vou eu.
Apesar de estar bebendo muita água sinto a boca seca. Sempre. Será do álcool??? Claro que não, é do sol gente!
Há música nos expressos e nos autocarros, mas em volume moderado, não chega a irritar. Outra coisa, aqui não tem ninguém pra colocar as malas no bagageiro, não me lembro se já comentei sobre isso. Você é quem coloca sua mala porque ninguém irá fazer o serviço pra você. No Brasil percebo que tem emprego demais, gente trombando em gente todo o tempo e quanto mais gente tem, mais mole o povo fica. Aqui é comum ver, nas áreas de alimentação dos shoppings, apenas uma pessoa pra atender você. E trabalham rápido. Com a crise precisam estar comprometidos e valorizam o emprego que têm, é o que venho observando.
Estou em paz e é um prazer apreciar a paisagem.
Chego em Caldas da Rainha e o motorista diz que temos 20 minutos e vou andar em volta da rodoviária. Não há nada de muito interessante pra se ver, tiro algumas fotos, volto correndo senão perco o ônibus.
E entramos em Óbidos. Muitos turistas, gente bonita, gente idosa, jovens, de tudo um pouco. A língua que menos se ouve é a portuguesa. Na entrada, um músico. Peço pra tirar uma foto com ele e deixo uma moeda que ele agradece. Ele canta bonito, sinto vontade de ficar ali, mas tenho muito o que ver e entro na cidade que é toda murada, linda, linda. Muitas lanternas grandes, ruas bem estreitas, de pedra. Por duas vezes tropeço e quase racho os bico no chão, não é fácil andar, mas vou embora, de boca aberta. Vai uma bacia aí, por favor, que é pra aparar porque eu babo.
A cidade é cercada por muros medievais. E voltamos aos tempos ma ra vi lho sos de antigamente(pelo menos nesse aspecto) – A partir de 1282 a cidade era o presente de casamento tradicional dos reis de Portugal a suas esposas. O principal doador, D.Dinis, aquele mesmo que deu o palácio real que fica dentro do castelo de Leiria para sua rainha, Isabel. (tou achando que esse tal Dinis era um sujeito danado de gastador). Ele construiu um castelo em Óbidos que é hoje uma das mais caras e prestigiadas pousadas de Portugal. Uma longa rua central corta a cidade. Dela saem muitas outras, bem íngremes, além de lances de escadas e pequenas praças com pavimento de pedra, todas cheias de flores e casas caiadas. É um prazer caminhar nessas ruas, há que se ter pernas fortes, as panturrilhas chiam, mas fui andando e sentando. Minha intenção era andar em volta da muralha, toda ela, e consegui. Tudo bem, levei mais de duas horas, mas valeu a pena. Evitei olhar pra baixo porque sou mole pra sangue e altura, então vamos evitar. Achei o lugar de caminhar estreito, mas não vou aqui botar defeito em muros de sei lá quantos muitos anos. A vista lá do alto é linda, dá pra se ver a área rural em volta. Um pai, meio riponga, quer tirar foto do filhinho e minha barriga esfria. Menino é bicho doido, vai que escorrega e cai lá embaixo? Desvio o olhar, nem quero ver. O pai nem lhe dá a mão e a criança vai sozinha encostar-se ao muro. Afe.. Tiro foto dos dois e me mando.
Enquanto dou a volta na muralha preciso pedir licença para um mancebo e logo vi que era mineiro. Ueba, peço uma foto e engatamos num ótimo papo que mineiro é outra coisa, né? E o tal Francisco ainda é de Beagá, minha cidade. Com aquele jeitão, bem conhecido por mim, já foi reclamando da mãe, que ele queria andar mais em Óbidos e ela queria era ir logo pra Fátima. Ele irritado, está adorando o lugar, mas vamos andando e ele reclamando. A senhorinha está na cadeira de rodas e tem 90 anos. E ainda machucou o joelho na viagem, mas quer ir a Fátima e ele vai.
Resolvo parar pra tomar o licor de ginjinha, feito de cerejas. Tem uma plaquinha que diz: beba o licor e coma o copo. Claro que eu quis, o copo era de chocolate, mas pequeno. Que combinação perfeita... O sabor da cereja, alcoolizada... rs, e o chocolate daqueles bons.. nham... nham... Fui embora correndo de medo de repetir.
Uma particularidade nos portugueses: tratam muito bem as crianças, brincam e conversam com elas todo o tempo. Elas vão aos restaurantes com os pais, nos almoços, jantares, estão sempre por perto. Os donos dos restaurantes lhes dão enorme atenção e percebo um carinho tão grande, carinho de verdade mesmo, não é comercial. Vejo esse comportamento também nas praças, parques, em todos os lugares. Crescem meigas e educadas. Muito lindo isso.
Noto também que tanto os homens quanto as mulheres dão bronca nos parceiros muito facilmente, principalmente os mais idosos. Muito mais que no Brasil, mas parece ser normal por aqui. Nós, brasileiros, se levarmos uma bronca dessas dos nossos amados, afe Maria, emburramos de verdade.
Tasca Torta – O restaurante que escolhi em Óbidos. Lugar simpático, o moço que me atendeu era muito acolhedor, bem preparado pra atender ao turista. Eu queria conhecer a “espetada” que é muito boa. Num espeto grande imaginem aquela parte do porco que fica na barriga, pedaços macios e bem temperados e entre eles pimentos (pimentões) e cebolas, tudo assado. Por cima folhas frescas de alecrim e salsa. Tomates partidos ao meio assados com a carne. Como o chef me ouviu dizer que não queria arroz e nem batatas ele fez um arranjo delicioso – parece anguzinho frito de São Paulo, ou seja, polenta, mas é bem mais gostoso. Fez uma salada verde e salpicou sementes de romã. Gente, deu um sabor que não imaginam. Nem o cachorro comeu porque não sobrou nadinha. O atendimento foi ótimo, recomendo.
Pago, agradeço e vou andando, já saindo da cidade murada. Como sempre paro numa loja pra comprar meu imãzinho de geladeira. Os comerciantes das cidades do interior são bons de papo e fico por ali de prosa com a senhorinha, mais ou menos da idade da mamãe, trabalhando sozinha. Eu falo que esses portugueses são trabalhadores, gente, tanto os novos quanto os muito idosos. E a senhora vai me falando que o país está cheio de imigrantes e que ela não é contra, já que muitos portugueses foram para o Brasil, mas que os brasileiros são maus. E vai me contando os crimes que cometeram por aqui, muito assustada. E me fala assim: cuidado com os “escuros”. Mal sabe ela que “os claros” também podem ser muito maus, mas não falo. Concordo, pago e me despeço.
Desço para pegar o ônibus. No ponto duas lindas moças japonesas e já fiquei grilada: putzgrila, será que terei que falar japonês também??? Não deu outra. As duas queriam saber se o ônibus pra Lisboa parava ali. A única palavra que entendi foi Lisboa e atravessei a rua pra me informar com as pessoas que aguardavam e, com o meu japonês fantástico (aquele com muitos gestos), disse-lhes que atravessassem a rua pra pegar o tal expresso. Elas ficaram tão felizes com a informação, e porque nos entendemos, que as duas começaram a bater palmas pra mim. Foi muito legal. Em seguida senta um casal da Bélgica ao meu lado e conversa vai, conversa vem, (tão duvidando?) trocamos opiniões sobre a cidade. Ela me diz que achou bonita, mas muito turística. Uai, penso eu, algum problema? Turismo é importante, não tira a beleza de nada e ainda traz dinheiro pro país. Estamos muito acostumados a isso no Brasil. Não entendi o que ela quis dizer, vocês entenderam? Por favor, dêem seus pareceres. (Nota de Wanda Saramago: a belga falava português razoavelmente).
Volto pra Leiria. Amanhã irei pra Porto.
Quando chego ao hotel a rata do dia: Descubro que tranquei a mala com as duas chaves do cadeado dentro. Mãe do Túlio mesmo e me pergunto: será que o Thiago é meu filho mesmo ou trocaram ele no hospital porque ele não faria uma cagada dessas. Aciono o serviço do hotel. Em meia hora resolveram meu problema destruindo o cadeado, mas há destruições que são para o bem e essa foi uma. Não cobraram nada pelo serviço.
Obs.: O Thiago é meu filho sim e de mim só puxou as boas qualidades... rs... E vejam a placa, até uma casa aqui ele tem!
E os gatinhos que encontrei, bonitinhos demais.
Inté qualquer hora...
Muitos beijos recheados de vinho, bacalhau e chocolateeeeee.
3415,3435 3457 3462 3489 3491 3522