03 de junho
Chego a Leiria. Dá pra imaginar uma capital de 45 mil habitantes? A primeira impressão é a melhor possível. Limpa e elegante. De repente o castelo. E eu digo pra mim: “olha isso”. Lindo, imponente, bem no alto, mas estou de frente das suas escadarias. Tenho a exata noção de como será difícil chegar ao alto. Sei que vou ver muitos castelos ainda, mas este me encantou desde que o vi nas intermináveis buscas que fiz na internet e nem acredito que estou diante dele. Será meu melhor passeio em Leiria.
Desço do ônibus, aqui se chama expresso; se você falar ônibus ninguém sabe o que é. Estão aprendendo palavrinhas novas comigo também. risos. A folgada brasileira, acostumada que está com vários táxis disponíveis, assim que sai da rodoviária não vê nenhum. A pessoa estranha, olha prum lado e pro outro e escolhe a direita. Na próxima esquina tem um ponto com muitos táxis. Não estão na frente da rodoviária certamente para não enfeiar. Europa é outra coisa mesmo. Entra no primeiro, cumprimenta o motorista e diz o endereço do hotel Íbis. Finalmente um português acessível. Ele, um senhor de uns 65 anos, de olhos muito azuis, me pergunta em que cidade moro no Brasil. Quando digo Goiânia ele custa a acreditar. Tem os olhos marejados, o pranto chega com força e fico penalizada porque não sei o que está acontecendo. Digo a ele que seria melhor ele parar o carro porque chora tanto que tenho medo que não possa ver nada à sua frente. Ele, mais calmo, começa a me dizer que tem esposa e filha em Goiás e faz 2 anos que não as vê. Casou com a goiana que veio passear em Leiria há 21 anos, teve com ela essa filha que cursa Letras em Goiânia. Ele fica tão feliz em encontrar alguém que, de alguma forma, o aproxima das suas amadas, que pega o “telemóvel”, liga pra esposa e me põe a falar com ela. “““ E ela, muito simpática, me diz:” esse homem é um amor, traz ele pra mim quando voltar...” Quando chego ao hotel ele me deixa um cartão e se coloca à disposição para toda e qualquer corrida. Penso, além de ganhar um dinheiro ainda dá pra fazer terapia comigo de graça... bom também... E num jeito paternal me diz que é pra ter cuidado com os portugueses, que eles são muito falsos, adoram as brasileiras, mas a grande maioria as considera prostitutas. Aqui mesmo em Leiria diz que havia cinco casas de prostituição, todas brasileiras e que os portugueses ficaram loucos com as mulheres, mas as esposas, ao verem muitos maridos deixando os casamentos, alguns deles descuidando da vida de casados e passando horas no lugar, uniram-se e, aos poucos, foram fechando os estabelecimentos. Aqui quase 100% das brasileiras vêm para tomar os maridos endinheirados das portuguesas. São consideradas destruidoras de lares, prostitutas, mulheres fáceis. Uma das esposas matou uma brasileira, dona de uma dessas casas, que lhe tomou o marido, e essa foi a última casa que existiu por aqui de brasileiras. Imagino que tenha outras boites dos portugueses, mas não perguntei isso a ele, não me interessava. No final da conversa ele me diz que também tem portugueses que são boas pessoas. Agradeço e entro no hotel entendendo o motivo do tal portuga ser tão acessível, aprendeu com o jeito brasileiro da mulher.
Sou muito bem recebida pela moça da recepção. Eles são bem profissionais e me lembram os donos de hotéis e restaurantes em Gramado. Estou tão cansada que encosto as malas e tomo “um duche’”. Sim, aqui não se fala chuveiro. Banheiro também não é banheiro, mas “casa de banho”. Ajeito algumas roupas e fico por ali vendo tv e ponho as pernas pra cima. Os pés estão inchados, enormes, e me dou 1 horinha de descanso.
Almoço às 16h, ainda meio viciada com o horário do Brasil que é meio dia. Meu estômago pensa que ainda está em casa. Apesar da bactéria estou louca pra comer uma salada (nem vou contar pra Dóris e Marina) e peço uma deliciosa: vários tipos de alface, tomate cereja, azeitonas pretas e queijo de cabra. Vem um pão de sementes muito bom. Coloco bastante azeite e fico ali olhando pela janela agradecida pela boa vida que tenho.
Luto contra o sono, tento não dormir e mesmo com o sol quente vou caminhar pela cidade. Ando durante 1 hora, volto, tomo outro banho e não tem jeito, o sono me vence, afinal havia dormido no máximo 3 horas no avião. O que seria uma soneca breve virou um sonecao de 4 horas. Tou frita, mifu.
Desço pro restaurante do hotel, levo o computador e peço uma sopa de legumes. Nunca comi nada pior.. risos... poucos legumes, cozidos em excesso, derretendo num caldo sem graça, mas tomei tudinho porque a fome era grande e queria alguma coisa mais leve porque tentaria dormir no horário de sempre, mas em vão, acabei dormindo às 2 da manhã. Prometi acordar no máximo às 8h no dia seguinte. Quero fazer o tal passeio ao castelo e irei a pé. Não é muito perto, mas quero andar, tirar fotos e esse será o meu programa de amanhã.
Volto depois. Beijinhos!
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